O jornalismo que não pode haver na Faixa de Gaza

O mundo – ou quem nele manda – acompanha, a assobiar para o lado, a tragédia que, sob a capa da luta contra o terrorismo, se está a abater gaza_apsobre a população civil da Faixa de Gaza. Os jornalistas, impedidos de entrar neste território palestiniano, limitam-se a dar-nos conta do contentamento nas cidades israelitas vítimas dos foguetes do Hamas e a apontar umas nuvens de fumo, ora mais brancas ora mais negras que vêem no horizonte.

O Supremo Tribunal de Israel decidiu, há mais de uma semana, que o Governo e as Forças Armadas deveriam autorizar os jornalistas a entrar em Gaza. As reacções a este escandaloso incumprimento – que permite que o mundo não veja a desumanidade e o horror – limitam-se a uns protestos de organizações jornalísticas. Fosse outro o governo e o Estado a praticar estes actos e …

Em Portugal, alguns comentadores e editorialistas foram rápidos a apoiar Israel, no início desta guerra e a procurar desqualificar como apoiante do Hamas quem questionasse os métodos de Israel.  Mas estão agora calados perante a gravidade da situação. Nem  sequer protestam pela mordaça (objectivamente é isso que acontece) colocada à liberdade de informar. Afinal, como é?

(Crédito da foto: AP)