Quando o telespectador se integra nos alinhamentos dos noticiários

A queda de um avião, ontem, no Rio Hudson, em Nova Iorque, mais do que um espectacular acontecimento, demonstra que é importante criar canais para integrar o telespectador nos conteúdos informativos. A notícia de ‘última hora’ chegou a Portugal na recta final dos telejornais das 20h00 dos canais generalistas. Os pivots limitaram-se a comentar as imagens que, em casa, nós também víamos. Quando, às 21h00, arrancaram os noticiários da SIC Notícias e da RTPN, o assunto continuava a dominar os alinhamentos. Quem tinha a notícia? As imagens dos canais internacionais transmitidas em directo pouco ajudavam a perceber o que se passava. Na RTPN, João Adelino Faria passa a emissão ao outro pivot que o acompanha, o Alexandre Brito, que faz a ligação com a Net. Uma passagem interrompida para dar espaço a um telefonema em directo com o correspondente em Washington. Que também não trouxe muitas novidades. Regressa-se ao pivot Alexandre Brito e à Net e percebe-se logo que há aí muita informação: fotografias dos passageiros a saírem do avião caído nas águas do Rio Hudson, vídeos que mostravam a descolagem de um aparelho idêntico ao acidentado a partir da mesma pista… Uma das fotos mostrada foi tirada por Janis Krums que a colocou de imediato no Twitter com esta legenda: “There’s a plane in the Hudson. I’m on the ferry going to pick up the people. Crazy”. Aí está um bom exemplo para demonstrar que os cidadãos, em determinados momentos, podem saber mais do que os jornalistas. Isso não implica que sejam repórteres. “Apenas” exige que os jornalistas multipliquem as suas ‘fontes’ e criem outros canais de diálogo com os seus públicos.

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O jornalismo que não pode haver na Faixa de Gaza

O mundo – ou quem nele manda – acompanha, a assobiar para o lado, a tragédia que, sob a capa da luta contra o terrorismo, se está a abater gaza_apsobre a população civil da Faixa de Gaza. Os jornalistas, impedidos de entrar neste território palestiniano, limitam-se a dar-nos conta do contentamento nas cidades israelitas vítimas dos foguetes do Hamas e a apontar umas nuvens de fumo, ora mais brancas ora mais negras que vêem no horizonte.

O Supremo Tribunal de Israel decidiu, há mais de uma semana, que o Governo e as Forças Armadas deveriam autorizar os jornalistas a entrar em Gaza. As reacções a este escandaloso incumprimento – que permite que o mundo não veja a desumanidade e o horror – limitam-se a uns protestos de organizações jornalísticas. Fosse outro o governo e o Estado a praticar estes actos e …

Em Portugal, alguns comentadores e editorialistas foram rápidos a apoiar Israel, no início desta guerra e a procurar desqualificar como apoiante do Hamas quem questionasse os métodos de Israel.  Mas estão agora calados perante a gravidade da situação. Nem  sequer protestam pela mordaça (objectivamente é isso que acontece) colocada à liberdade de informar. Afinal, como é?

(Crédito da foto: AP)