Despedimentos no JN, no DN, no…

A “borrasca no horizonte” prenunciada por Manuel Pinto neste blogue, há apenas dois dias, parece ter infelizmente confirmação: a administração do Grupo Controlinveste (proprietário, entre outros meios, do Jornal de Notícias (JN), do Diário de Notícias (DN) de O Jogo, do 24 Horas, do Global Notícias, da TSF…) anunciou esta tarde, em comunicado, a sua intenção de proceder ao despedimento colectivo de 122 trabalhadores, entre jornalistas e outros funcionários. A justificação baseia-se na “evolução acentuadamente negativa do mercado dos media” (particularmente “na área da imprensa“) e na “profunda quebra de receitas do sector“. O documento acrescenta ainda que “além desta medida, tão difícil, outras foram e serão tomadas“, tendo como objectivo “garantir a sustentabilidade” das empresas do grupo “e a perenidade dos seus principais títulos“.

O Sindicato dos Jornalistas manifestou já a sua preocupação pela situação, tendo estado reunido esta manhã com a administração do grupo e prometendo um comunicado para a tarde de hoje.

De acordo com uma notícia na secção de Última Hora do Público,  que cita a Agência Lusa, “cerca de metade” dos 122 funcionários a depedir serão jornalistas, afectando em especial o JN e o DN (com cerca de 25 ‘dispensas’ cada um). Ainda segundo o Público , no desportivo O Jogo deverá haver 15 despedimentos, enquanto o 24 Horas deverá encerrar a sua delegação no Porto, onde presentemente trabalham 10 pessoas.

Há, de facto, muita “borrasca” no sector dos media. E já não é apenas no horizonte previsível: ela aí está, muito concreta, a precipitar-se dramaticamente em cima das nossas cabeças…

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Carta de um jornalista assassinado

Lasantha Wickramatunga, de 52 anos, era editor e repórter do jornal Sunday Leader, do Sri Lanka, e crítico da conduta do governo na luta contra os separatistas Tamil. Faz hoje oito dias foi assassinado na rua por dois atiradores que se fazim transportar em motos.

Prevendo este desfecho, deixou uma carta para ser divulgada depois da sua morte. A revista The New Yorker traz o texto, sob o título Letter from the Grave. Vale a pena ser lido. Deixo o primeiro parágrafo:

“No other profession calls on its practitioners to lay down their lives for their art save the armed forces and, in Sri Lanka, journalism. In the course of the past few years, the independent media have increasingly come under attack. Electronic and print-media institutions have been burnt, bombed, sealed and coerced. Countless journalists have been harassed, threatened and killed. It has been my honor to belong to all those categories and now especially the last.”

Quem é julgado no processo Casa Pia?

“A crer nas alegações dos arguidos, que a comunicação social tem abundantemente referido, quem está a ser julgado no processo Casa Pia é o Ministério Público, a Magistratura Judicial (que os pronunciou), a Polícia Judiciária, o Instituto de Medicina Legal, os peritos médicos que observaram as crianças, as próprias crianças, as testemunhas, a comunicação social, a opinião pública e o Mundo em geral; e as vítimas são os arguidos. (…)”.

Manuel António Pina, Jornal de Notícias, 15.1.2009