Ano novo…velhas práticas

Há práticas, no exercício da profissão, que mesmo sendo indicadoras de profundo desrespeito estão tão naturalizadas que parecem não constituír qualquer problema. Não serão problema para quem assim procede, não serão problema para quem lidera as empresas onde assim se age, não serão – aparentemente – também problema para quem regula a actividade. A serem, então, problema, sê-lo-ão apenas para os destinatários, para nós. Mas isso é, no fundo, coisa irrelevante.
E do que falo eu?


Falo da deliberada sobreposição do logótipo de uma estação de televisão em imagens que não tenham sido originalmente captadas por si ou por empresas do mesmo grupo.
Ontem à noite, os espaços informativos da RTP apresentaram declarações do primeiro-ministro, José Sócrates, à SIC mas lá fizeram o regular ‘esconde, esconde’ que, de tão primário, chega a ser insultuoso.

Em Abril do ano passado, a propósito de um episódio semelhante (curiosamente, com os mesmos actores mas em papéis invertidos), escrevi aqui algo que mantem toda a actualidade:
Os acordos de auto-regulação que, em momentos de maior aperto por parte das entidades reguladoras, os operadores nacionais tendem a querer fazer não podiam estabelecer regras claras?
A entidade reguladora andará atenta?
Bem sei que pode facilmente dizer-se que é uma questão menor; uma questão gráfica, ou de estilo.
Mas não é.
É uma questão de educação
.”

One thought on “Ano novo…velhas práticas

  1. Mais grave ainda para mim é quando recolhem imagens de outras fontes e não as atribuem. Caso específico: o assalto ao BES, que terminou da forma que todos sabemos. Todas as câmeras das televisões estavam sem ângulo para captar imagens claras do acontecimento, mas a videojornalista do Público, Sandra Oliveira, conseguiu ganhar posição mesmo em frente ao banco, e tirou as melhores imagens da libertação dos reféns. Eu tenho a certeza absoluta que houve um canal que não atribuiu as imagens ao Público e em praticamente todos houve um esforço em retirar o P vermelho do canto da imagem. É falta de educação mesmo, e segundo ouvi dizer há picardias empresariais entre meios que explicam algumas situações, mas isso já entra no campo do diz que disse.
    A Sandra, por acaso, acabou por ganhar na categoria de Breaking News nos primeiros prémios de ciberjornalismo atribuídos em Portugal, com essa mesma reportagem.

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