Ano novo…velhas práticas

Há práticas, no exercício da profissão, que mesmo sendo indicadoras de profundo desrespeito estão tão naturalizadas que parecem não constituír qualquer problema. Não serão problema para quem assim procede, não serão problema para quem lidera as empresas onde assim se age, não serão – aparentemente – também problema para quem regula a actividade. A serem, então, problema, sê-lo-ão apenas para os destinatários, para nós. Mas isso é, no fundo, coisa irrelevante.
E do que falo eu?


Falo da deliberada sobreposição do logótipo de uma estação de televisão em imagens que não tenham sido originalmente captadas por si ou por empresas do mesmo grupo.
Ontem à noite, os espaços informativos da RTP apresentaram declarações do primeiro-ministro, José Sócrates, à SIC mas lá fizeram o regular ‘esconde, esconde’ que, de tão primário, chega a ser insultuoso.

Em Abril do ano passado, a propósito de um episódio semelhante (curiosamente, com os mesmos actores mas em papéis invertidos), escrevi aqui algo que mantem toda a actualidade:
Os acordos de auto-regulação que, em momentos de maior aperto por parte das entidades reguladoras, os operadores nacionais tendem a querer fazer não podiam estabelecer regras claras?
A entidade reguladora andará atenta?
Bem sei que pode facilmente dizer-se que é uma questão menor; uma questão gráfica, ou de estilo.
Mas não é.
É uma questão de educação
.”

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Viragem editorial na SIC?

Segundo a imprensa de hoje, a SIC tem uma nova aposta ao nível da programação. Finalmente o canal generalista privado parece apostado em recuperar uma imagem de marca: os formatos de informação. Ontem estreou “Nós por Cá”. Para os próximos tempos anunciam-se mais novidades: “Mário Crespo entrevista…” e “Aqui e agora” (uma rubrica do “Jornal da Noite” que ganhará autonomia). O noticiário das 20h00 terá também novas rubricas. Segundo os responsáveis da SIC, haverá uma atenção em diversificar os convidados e em criar novos canais de participação. A concretizar-se este objectivo, é uma excelente notícia para a vitalidade do espaço público televisivo e para o fim de uma TV das Elites, construída por uma confraria extremamente reduzida.