O jornalismo e o(s) poder(es)

Inaceitáveis são as palavras atribuídas à ministra da Saúde, não só por revelarem manifesta incompreensão daquele que é o dever de um jornalista, mas também pela implícita “funcionalização” de um profissional da RTP: aparentemente, para Ana Jorge, a estação pública deveria estar ao serviço do poder político. Lamentavelmente, este episódio quase não teve repercussão pública, com a honrosa excepção de um deputado do PSD, Luís Campos Ferreira, que abordou o caso no Parlamento. Da parte do Sindicato dos Jornalistas, que se desse por isso, nem uma palavra de protesto…
M. Betencourt Resendes, in Diário de Notícias, 20.12.2008
[As palavras atribuídas à ministra: “O quê? O senhor não sabe o que está combinado? Que hoje só pode fazer perguntas sobre esta cerimónia e sobre o plano de combate à sida nas escolas? Ainda por cima é da RTP, a televisão pública, a fazer uma coisa destas. E depois, logo à noite, não sai a reportagem.”]

“(…) uma questão central (…) é hoje a de saber se por trás de uma nobre palavra – ‘o jornalismo’ -, que a história associou a algumas das mais belas aspirações da humanidade (a isenção, a verdade, o pluralismo, o rigor, etc.), não se terá entretanto instalado uma actividade que já pouco ou nada tem a ver com elas, que agora visa mais o lucro do que a verdade e se condiciona mais por múltiplos interesses do que por sólidos valores (…)”.
Manuel Maria Carrilho, Diário de Notícias, 20.12.2008

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