200 mil… com a “gata da hora”

De vez em quando costumo dar uma vista de olhos pelo contador de visitas do blogue. Não andamos aqui a (con)correr pela audiência (para isso também há técnicas e existe, na blogosfera, quem as use). Mas seria estultícia e arrogância não valorizar e apreciar os que nos visitam.

Em meados de Janeiro de 2007, mudámos do Blogger, onde residíamos desde Abril de 2002, para o WordPress. Desde então, contabilizam-se duzentos mil visitantes, número atingido ontem. Um agradecimento por isso a si, que por aqui passa, mais ou menos frequentemente.

Mas, já que falámos de nós, vale a pena falar de um fenómeno que se prende com as visitas. Em 6 de Junho do ano passado, publicámos um post da nossa amiga e colega de Lisboa, Marisa Torres Silva, intitulado “«Meia Hora» – um olhar”. O texto assinalava e analisava o lançamento do gratuito do grupo Cofina, apresentado como “diário de referência”. Pois não é que esse post adquiriu uma tal procura que não há dia em que não receba mais de uma dezena de visitas?! Só à sua conta foram, até agora, 9000, o que equivale a perto de 5% do total.

Como explicar esse mistério? Os comentários a esse post ajudam a encontrar a resposta. E os termos através dos quais alguns visitantes aqui vêm parar complementam a explicação. Há um tablóide brasileiro chamado “Meia Hora” que publica regularmente a rubrica “Gata da Hora”. Quando as candidatas a “gata da hora” vão ao Google à procura desse espaço, encontram o nosso «Meia Hora». E logo com “um olhar”! Até chegam a perguntar para onde ou para quem devem mandar a foto.

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O velhinho (do) Watergate

 Embora o “caso Watergate” já tenha ocorrido há umas décadas, ele ainda continua a exercer sobre muitos jornalistas um enorme fascínio. Faz parte da história do jornalismo de investigação e faz parte da história do jornalismo como instrumento capaz de mudar a própria história. Em 2005, mais de 30 anos depois do “Watergate”, foi revelada a identidade do célebre “Garganta Funda” que permitira aos repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein, do “The Washington Post“, irem desenrolando os fios de uma teia de malfeitorias que acabaria por levar à queda do presidente Nixon. Aqui há dias, ambos os jornalistas se encontraram face a face com o dito “Garganta Funda”, hoje com 95 anos e quase nenhuma memória, como mostram esta notícia e esta foto, que aqui se trazem por curiosidade.  Curioso é saber também que esta foi a primeira vez que Bernstein viu a fonte da reportagem mais marcante da sua vida profissional (Woodward é que fazia os contactos com ele no escuro de um parque de estacionamento, como muito bem foi retratado no filme “Os Homens do Presidente”).

(Dica retirada do blogue de Romenesko)

Vestígio de uma passagem por São Paulo

Na semana que passou tive ocasião de participar no 6º Encontro Nacional da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em jornalismo, que decorreu, desta vez, na Universidade Metodista de São Paulo, em São Bernardo do Campo. Uns dias muito ricos de contacto e intercâmbio com membros de uma jovem organização que reúne do que de melhor se produz daquele lado do Atlântico, no campo dos estudos jornalísticos.

Uma experiência realizada por Alex Primo, via Twitter, com a colaboração de Gabriela Zago e Laura Storch, duas estudantes que com ele trabalham, deu um resultado que pode ser visto aqui.

O riso e o pranto perante o mundo

Confesso que a primeira propriedade do riso é o risível; e digo que a maior impropriedade da razão é o riso. O riso é o sinal do racional; o pranto é o uso da razão.
Quem conhece verdadeiramente o mundo, precisamente há-de chorar; e quem ri, ou não chora, não o conhece.
Que é este mundo senão um mapa universal de misérias, de trabalhos, de perigos, de desgraças, de mortes?
E à vista deste teatro imenso, tão trágico, tão lamentável, que homem haverá (se acaso é homem) que não chore?
Se não chora, mostra que não é racional, e se ri, mostra que também as feras são capazes de rir.

Padre António Vieira, 1674
Citado no Público de ontem por João Bénard da Costa

O “marketing alternativo”…

Eu já lhes tinha ouvido chamar muita coisa, mas “marketing alternativo” ainda não… Pois “marketing alternativo” é aquele conjunto diversíssimo de coisas que hoje em dia podemos comprar, a preço mais módico, quando compramos um jornal: um CD, um DVD, um talher, uma caixa de cozinha, um livro de receitas, uma chávena, sei lá, uma série de ‘produtos associados’ (era assim que se lhes chamava em tempos) destinados a fidelizar clientes e a melhorar a conta de resultados das empresas. Quando estas estratégias começaram a desenvolver-se entre nós, há pouco mais de 10 anos, o objectivo era mesmo tentar fidelizar clientes de jornal: os tais produtos eram habitualmente oferecidos (e não vendidos), eram frequentemente em fascículos (para obrigar à colecção) e eram, portanto, mais um custo (um investimento) do que uma receita complementar. Mas o modelo de negócio evoluiu, no sentido inverso das receitas de venda de jornais e de publicidade: diminuindo estas, passaram a vender-se os tais produtos, para procurar contrabalançar as baixas. E o tal “marketing alternativo” passou a ter uma importância tremenda na conta de resultados dos jornais, podendo valer cerca de 20 por cento das suas receitas totais. Mais: a luta pela liderança no segmento dos jornais diários (entre “Correio da Manhã” e “Jornal de Notícias“) é hoje indissociável da maior ou menor capacidade de atracção dos produtos que se compram (ou se recebem) juntamente com o jornal. Já o “Público“, por exemplo, viu complicarem-se-lhe as contas de exploração a partir da altura em que os ‘produtos associados’ — que também cansam, que também cansam… — passaram a ter menos sucesso de vendas.

Tudo isto me veio à mente ao ler uma recente notícia sobre os resultados da Cofina (proprietária do “Correio da Manhã“, do “Record” e do “Jornal de Negócios“, entre outras publicações) nos primeiros meses deste ano. Aí se mostra explicitamente como o “marketing alternativo” foi essencial para fazer crescer as receitas (este segmento cresceu mais de 70 por cento…), embora também tenha as suas desvantagens na coluna dos custos. É, de facto, o modelo de negócio que está numa nova fase desde há anos, mas que continua a suscitar dúvidas e reservas, seja quanto à possibilidade de assim se conseguir a sobrevivência dos jornais em papel, seja quanto à verdadeira vocação dos jornais como veículos de informação ou como veículos de todo e qualquer produto que agrade ao leque mais vasto de consumidores.

Em tempo: a Cofina acabou também de vender a sua participação de cerca de 30 por cento no semanário Sol, que tinha comprado há menos de um ano. Parece que, por ali, nem o “marketing alternativo” lhe valeu… Sim, que talvez ainda nos lembremos que o Sol era aquele jornal “que não dá brindes” mas que depressa acabou por ter de engolir em seco esse lindo propósito de José António Saraiva: hoje, na saca de plástico do jornal, lá vinha a oferta de mais um DVD com um filminho infantil… 

Em resumo: isto dos jornais não está nada fácil!

Quem disse que os blogs acabaram II?

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[Sugestão recolhida no Virtual Illusion]

Mercado de Comunicação 08 – relatório OFCOM

O regulador britânico, OFCOM, acabada de tornar público o seu mais recente estudo sobre o mercado internacional de comunicação. A análise centra-se, sobretudo, em sete países – Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Estados Unidos, Canadá e Japão – mas há também, nalgumas secções, a apresentação de dados relativos a outras nações: Polónia, Espanha, Holanda, Suécia e Irlanda.
Sumário das conclusões:

1. Há praticamente uma ligação de banda larga para cada quatro pessoas;
2. Utilizadores norte-americanos são os que passam mais tempo online – cerca de 15 horas/semana – e espanhóis são os que passam menos – cerca de 7,5 horas/semana;
3. A net é mais relevante no mercado publicitário do Reino Unido (19 por cento) e Suécia (17 por cento);
4. O uso simultâneo de vários meios (stacking) é já comum; uso da net com TV ronda, em média, 70 por cento;
5. O consumo de TV na web aumentou consideravelmente;
6. O consumo de net fez baixar o consumo de TV, em média, em mais de 20 por cento e o consumo de jornais/papel em cerca de 30 por cento (47 por cento na França!);
7. A banda larga móvel atinge taxas de penetração superiores a 70 por cento;
8. Vendas de música através de suportes digitais aumentou 20 por cento; downloads representam já perto de metade do mercado de vendas de música na França, no Japão e na Itália;
9. Redes sociais móveis começam a crescer em popularidade;
10. A televisão móvel ainda não conseguiu afirmar-se.

Do capítulo ‘Convergência’ retiro dois quadros que me parecem avisos muito claros, sobretudo aos jornais:
20081120_ofcom_report_internationalcommunicationsmarket08_1_w20081120_ofcom_report_internationalcommunicationsmarket08_2_w1