Novas oportunidades…

Ao ler esta recente reflexão do Manuel Pinto sobre o eventual ocaso dos blogues, dei comigo a pensar se não teremos sobretudo em mente o que se passa na nossa área mais específica (a da Informação, da Comunicação, do Jornalismo), esquecendo o panorama em alguns outros sectores que podem ter descoberto a blogosfera há menos tempo mas que dão, hoje, mostras de um espantoso dinamismo.

E lembrei-me do que se passa entre os professores dos ensinos Básico e Secundário, por exemplo.

Um dos aspectos mais interessantes (e politicamente mais complexos…) das recentes movimentações de protesto dos professores, sobretudo a partir da primeira “mega-manifestação” de Março, tem a ver com os diversos planos em que os processos se vêm desenvolvendo. As estruturas sindicais são um dos parceiros mais fortes e mais mobilizadores, sem dúvida, mas muita coisa está a acontecer à margem delas – e isso é algo de muito novo! No último sábado, depois da manifestação gigantesca da semana anterior, mais uns milhares de professores (fossem 7 mil, 10 mil ou 20 mil, o certo é que foram milhares) voltaram a sair à rua – e desta vez, digamos assim, por exclusiva mobilização das “bases”. Foram estas mesmas “bases” que criticaram a Plataforma Sindical quando ela assinou o célebre “Memorando de Entendimento” com o Ministério da Educação, em fins do ano lectivo passado, e foram essas mesmas “bases” que, agora, de algum modo ‘obrigaram’ a Plataforma Sindical a ‘esquecer’ o acordo e a voltar à contestação sobre a avaliação.

Ora, tanto quanto tenho podido ver, os blogues estão a ser um dos elementos mais activos e mais decisivos na alimentação deste movimento contestatário, que se reparte, ele próprio, por vários ‘movimentos’ e ‘associações’  à margem das estruturas representativas tradicionais – e, desde logo, dos sindicatos. Blogues como o do MUP,  o da APEDE,  o PROFAVALIAÇÃO, o da Promova, o A Educação do Meu Umbigo, o A Sinistra Ministra, o outrÒÓlhar, o Educação S. A., , o O Estado da Educação, o O Cantinho da Educação, o Últimas Educativas, ou o Movimento Escola Pública,  para só citar alguns dos mais conhecidos (e, naturalmente, sem juízos de valor sobre a sua actividade ou a sua orientação), são exemplos de uma dinâmica da ‘sociedade civil’ e de uma capacidade de intervir no espaço público que não devemos menosprezar. Que, desde logo, não devemos ignorar. Não perceber o que se está a pensar no seio da comunidade profissional dos professores e continuar a reduzir tudo aos esquemas de análise do costume (os partidos políticos, os sindicatos, as ‘instrumentalizações’, etc….) é, julgo eu, passar ao lado do essencial – e passar ao lado das hipóteses de resolução efectiva dos conflitos existentes.

Em jeito de ironia, quase apetece dizer a José Sócrates que os professores deste país também estão a aproveitar intensamente as “novas oportunidades” advindas do universo digital, da Internet, da Web, da Sociedade da Informação, utilizando-as para difundir as suas razões de queixa, para criar e alimentar redes de contacto e de debate, para mobilizar os pares, para trocar argumentos, para manter acesa a chama da contestação. Como comentaria o outro: “It’s the Internet, stupid!”.

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3 thoughts on “Novas oportunidades…

  1. Se me permitem uma sugestão: Não se deixem iludir com a excelência do instrumento “blogoEsfera” porque correrão o risco de reduzir e empobrecer a realidade situada.

  2. Quem com ferros mata, com ferros morre! E esta nova Pide /Santos Silva/Sila Pereira socratina vai cair com as mesmas armas com que subiu!

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