O que a publicidade pensa do jornalismo

Acabo de ouvir na rádio um spot do Euromilhões. Desta vez o conhecido mordomo Jarbas é confrontado pelo seu patrão com esta pergunta:
– Já compraste o jornal?
O fiel empregado responde afirmativamente, acrescentando que as aquisições se alargaram a outros media. O patrão remata assim:
– Agora já posso publicar o que quiser!
O que pretendem os promotores desta campanha: promover um produto e ao mesmo tempo abrir um debate sobre a (in)dependência dos meios de comunicação social? Assumir que os jornalistas são meros “cães de guarda” de interesses económicos ou políticos, sem qualquer espaço de autonomia? Ou o spot é feito apenas para ter graça (!), sem se pensar naquilo que é dito?

5 thoughts on “O que a publicidade pensa do jornalismo

  1. O que eu acho é que o spot a ser assim como relata, diz o que muitos pensam sobre os media em Portugal (e não só).
    É evidente o bias dos media em muitas questões, para dar um exemplo, o recente caso do BPN é disso exemplo. É com espanto que vejo os pivots televisivos ( influenciados pelos habituais “cães de guarda” que são os comentadores do regime) a questionarem somente o Presidente do Banco de Portugal quanto à regulação do sector e nada dizerem sobre quem praticou o descalabro da instituição. quer dizer culpa-se o polícia e absolve-se (em termos mediáticos) o ladrão. Agora pergunto porquê? Não merecerão os clientes daquele banco uma preocupação por parte dos media?
    Que deve escrutinar quem o fez e porque é que o fez?
    Porventura não será indiferente o facto de a maior parte dos directores e administradores do banco pertencerem a uma certa área politica, a mesma área politica que controla a maior parte da comunicação social em Portugal. .

    O facto de essa “verdade” aparecer num spot de radio, escrito por um copy publicitário diz muito onde se situa hoje a informação e a publicidade. Ler hoje um título de um jornal ou de uma televisão equivale bem a um slogan de um produto publicitário e está mais orientado para a venda do que para a verdade,curiosamente a publicidade acompanha e compreende bem melhor o cidadão que o jornalismo. Os papeis de certo modo inverteram-se.O jornalismo está virado não para o cidadão mas para grupos de pressão, corporativismos e interesses, a publicidade apesar de trabalhar para as marcas conhece melhor as pessoas e tem um insight muito mais apurado. É caso para reflectir não para se indignar….

  2. A ignorância é atrevida, só isso. A maioria destes erros são pura ignorância. Ou será que ainda ninguém viu, nos pacotes de açúcar Nicola, a frase: “Qualquer dia vou ver os pinguins ao Árctico”?

  3. Professora,
    Como sabe, em muitos países existe a “imprensa parcial”, ou seja, jornais de esquerda, de direita, azul, verde ou vermelha…
    Ando cá desconfiado que, em Portugal, para lá caminhamos, ou que, pelo menos, há quem assim o veja (o Zé Povo)…
    Mas isso sou eu a pensar… e não sou publicitário…
    Cumprimentos

  4. A meu ver, este spot publicitário limita-se a beber na sociedade, a expôr aquilo que lhe vai na alma (dela, da sociedade). E às vezes a nossa alma não nos agrada…
    O estereótipo do excêntrico, que é muito mais que um simples milionário, limita-se a desejar, a desejar em grande, muito para além da dimensão comezinha do quotidiano. Essa é a promessa da publicidade.
    O dinheiro compra, o dinheiro é poder. E os outros poderes só têm que conseguir resistir…

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