Mudar o mundo?

Passar os olhos pelos blogues que alguns dos media tradicionais crescentemente alojam nos seus sites (muitos deles alimentados por jornalistas da casa,  em registos de escrita mais pessoais do que os do trabalho jornalístico) é, pode ser, um complemento informativo bastante interessante. Na emocionante noite das eleições americanas, que fez lembrar (a pessoas da minha idade, claro…) aquelas longuíssimas madrugadas à espera de resultados nas nossas primeiras eleições pós-25 de Abril, fui passando os olhos por alguns deles (sim, que decidi seguir a contagem americana simultaneamente à frente do televisor e do computador). Passei, por exemplo, pelo site da CNN e pelo blogue In the Field, onde encontrei um texto da famosa jornalista Christiane Amanpour, intitulado This election will change the world. Para além do post, chamaram-me a atenção alguns comentários e, especificamente, este de um senhor chamado Mike Roberts:

The arrogance of thinking the US election will change the world is boring at best and grating at worst. Yes it is historic, yes it is interesting, but it will not change the world. There will be troops in Iraq whoever wins, there will be an economic crisis, whoever wins, there will be famine and conflict in Africa, whoever wins, and there will still be terrorist elements all over the world aiming their anger at America and the rest of the world, whoever wins. So please, stop this rhetoric of “changing the world” and lets hope America can change itself and by this regain its Status as an admired democratic country worldwide. Don’t run before you can walk.

E dei comigo a pensar que o senhor tinha alguma razão. Mas depois pensei que talvez não totalmente, porque o simples facto de Barack Obama ter sido eleito presidente dos EUA é já, só por si, uma mudança no mundo. Independentemente do que venha agora por aí (e oxalá venha boa coisa…), de facto o mundo, ontem, mudou. De que maneira!