Chaves para o sucesso na web

Caroline Litlle, hoje conselheira para a implantação do jornal The Guardian na América do Norte, explicitou, numa recente conferência da WAN (World Newspapers Association), os quatro eixos do desenvolvimento do jornalismo na web:

  • Aposta no jornalismo multimédia, analisando os melhores meios para dar as notícias e tirando partido da panóplia de recursos ao dispor
  • Utilização sistemática de bases de dados em todas as áreas, regularmente actualizadas, de modo a torná-las imprescindíveis, nomeadamente para os leitores
  • Envolver a audiência, para melhor a conhecer e dar-lhe oportunidade de participar
  • Atenção à disseminação dos conteúdos noutras plataformas, dado que não se controla mais o formato em que os leiotres seguem o jornalismo que se produz.

A “receita” do ponto de vista da estratégia, passaria por:

“Keep one foot rooted in the core journalism values of the core product, and one that happens to be delivering the most revenue, and with the other, stretch as far as possible to try new things in this new medium” .

Fonte e complemento: AQUI

Direito de comunicar

O número relativo ao Outono de 2008 (vol.7, n. 13) da revista Global Media Journal é quase todo ele dedicado ao direito à comunicação, uma matéria pouco conhecida e trabalhada entre nós. Ficam os links para alguns dos textos publicados

6º SOPCOM – conhecidos nomes dos conferencistas

Anabelle Sreberny, a recém-eleita presidente da IAMCR (International Association of Media and Communication Research), é uma das conferencistas convidadas do VI Congresso da SOPCOM, que se realizará na Universidade Lusófona, em Lisboa, de 15 a 18 de Abril próximo. Outros conferencistas previstos são Mia Couto, Frank Webster, Nico Carpentier, François Heinderyckx e Homi Bhabha.

O 6º congresso, centrado no tema “Comunicação, Política e Tecnologia”,  será presidido por Moisés de Lemos Martins, cabendo a coordenação da Comissão Organizadora a Cristina Álvares e Manuel José Damásio. Articulado com este terá igualmente lugar, na mesma data e local o VIII LUSOCOM – Federação Lusófona de Ciências da Comunicação, sob a presidência de Margarita Ledo, da Universidade de Santiago de Compostela, e em torno da temática “Comunicação, Espaço Global e Lusofonia”.

A Universidade Lusófona acaba, entretanto, de anunciar a abertura do site do congresso.

SIC e TF1 em estudo editado pela Harmattan

Nem de propósito: no momento em que a SIC emite “O momento da verdade”, a editora francesa Harmattan acaba de editar um estudo sobre a encenação televisiva da vida privada e íntima, através de programas como reality-shows e talk-shows, ou, nas palavras da autora, sobre “a questão da intimidade e da sua devassa nos media”.

O livro intitula-se “Regards Croisés sur ‘l’Intime-Quotidien’ en France et au Portugal – Le Cas de TF1 et de SIC“. Elisabeth Machado-Macellin, licenciada em Comunicação Social pela Universidade do Minho (UM), dá aqui a conhecer a um público mais vasto o principal da sua tese de doutoramento apresentada na Sorbonne, em finais de 2005.

Num texto publicado na revista do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da UM (Comunicação e Sociedade, vol. 12, 2007), a autora apresenta uma súmula do estudo desenvolvido:

No âmbito deste trabalho, pretendeu-se identificar as condições de emergência, os dispositivos e os tópicos do que chamamos o “íntimo-quotidiano” na televisão francesa, no caso da TF1 e na televisão portuguesa, no caso da SIC. Ao adoptar uma perspectiva diacrónica (1986-2000, para a TF1, 1992-2000, para a SIC) e transcultural, foi-nos possível observar como a vida privada do cidadão comum se expõe e como é codificada. Através de uma análise comparada, o nosso propósito foi o de identificar os desvios semióticos e os aspectos convergentes nessa exposição, assim como o de verificar se as representações e os discursos diferem entre as duas estações. Num mundo cada vez mais globalizado, tentámos apreender as nuances e os graus de pudor e de impudor que caracterizam estes dois universos audiovisuais.

O Público, o bom-senso e a infalibilidade

Uma das razões pelas quais o Público (ainda?) continua a ser um bom jornal reside no facto de  nos dar, por vezes, chaves para a leitura crítica daquilo que publica. Leia-se “A crise e os portugueses“, a crónica de hoje de Vasco Pulido Valente, como exemplo.

O cronista, compreensivelmente, não explicita aquilo que se pode ler ou concluir nas entrelinhas: não é razoável que, numa semana como aquela que o mundo conheceu, um jornal de referência dedique mais de dez páginas ao tema do … casamento homossexual, como aconteceu na edição da última sexta-feira.

Não está em questão a importância ou a oportunidade de debater o assunto (dando de barato que o Parlamento tenha escolhido este momento para o fazer). Também não se nega a atenção que o jornal tem dado à crise (e certamente continuará a dar). É de proporcionalidade e de bom senso que se trata. E, por vezes, esse sentido – tão básico e tão necessário, especialmente em tempos de crise – parece que anda arredado de quem pensa e projecta o que se publica.
A este propósito, é preocupante o que se lê hoje na coluna de Joaquim Vieira, provedor do leitor deste jornal, a propósito de uma notícia relacionada com a vida interna do PCP. Nela o director declara que a experiência da Direcção com uma jornalista da casa ensina que ela possui “fontes à prova de bala”, “quando toca a notícias sobre o PCP”.

“Ficamos assim informados – comenta o provedor – de que existem no PÚBLICO dois tipos de jornalistas: os infalíveis, que estão dispensados de mencionar a origem das informações que publicam, e os outros, sujeitos à terrena condição de que errar é humano, e que, portanto, se presume deverem invocar as fontes em que sustentam o seu trabalho.”

E num tom mais irónico acrescenta:

“Tendo estudado jornalismo in illo tempore, o provedor não aprendeu esta divisão, nem lhe consta que tenha sido entretanto introduzida nos manuais. Mas acha que, ao longo da História, os homens considerados infalíveis nem sempre produziram bons resultados. Não será o mesmo no jornalismo? “

Certamente que é o mesmo no jornalismo. Mas a questão é mais funda, já que se quem dirige atribui ou sugere desta forma a infalibilidade, o que fará relativamente a si próprio?

Blogues e cultura – encontro em Novembro

Estão abertas as inscrições para partcipar e apresentar comunicação no IV Encontro de Blogues, o qual terá lugar na Universidade Católica, em Lisboa, em 14 e 15 do próximo mês.
José Luís Orihuela, da Universidade de Navarra volta a ser a “guest star”, depois de já ter participado nos três encontros nacionais anteriores. O IV Encontro de Blogues sucede a outros realizados em Braga (2003), Covilhã (2005) e Porto (2006) e apresenta algumas novidades face aos anteriores, de acordo com os organizadores. “Primeiro, o encontro tem um enfoque especial nos blogues de cultura – o título do encontro é mesmo Blogues e cultura –, desdobrado em três painéis. blogues e segmentação da blogosfera, blogues culturais e educação, e blogues e negócio. Depois, o segundo dia é totalmente dedicado à formação, com ateliês de Photoshop e Ferramentas de Web 2.0. Assim, além da parte teórica e das participações com comunicações, o encontro pretende divulgar e promover ferramentas tecnológicas úteis na internet e na criação de blogues”.
Além de Orihuela, participarão também nomeadamente os autores de blogues Sound + Vision (de Nuno Galopim e João Lopes, jornalistas das áreas do cinema e da música), Booktailors (de Nuno Seabra Lopes e Paulo Ferreira, ligados à actividade do livro), Retorta (de Mário Pires, ligado à fotografia e ao vídeo) e Indústrias Culturais (de Rogério Santos, docente da UCP e um dos organizadores do evento). Os monitores dos ateliês serão Gonçalo Silva (docente da UCP) e Mário Barros (Instituto Politécnico de Tomar).
Contactos com a organização: aqui.

(Crédito da foto)

Conferência sobre a Regulação do Jornalismo

No dia 15 de Maio de 2009, terá lugar, na Universidade do Minho, uma conferência subordinada ao tema ‘Jornalismo na Europa: Quem precisa de Regulação?’

A conferência pretende aproximar perspectivas diversas sobre as profundas transformações que estão a ocorrer no campo jornalístico e respectivos desenvolvimentos ao nível dos mecanismos de regulação. Analisando as mudanças, procura-se, com esta conferência, contribuir para o desenvolvimento de uma leitura mais complexa das ferramentas reguladoras (internas e externas) com potencial para a defesa do jornalismo como campo socialmente relevante. Os desafios colocados pela digitalização dos conteúdos, pela proliferação das plataformas e pelo crescimento exponencial de participantes na esfera pública digital estarão em cima da mesa.

Manifestações de interesse podem ser enviadas para a Comissão Organizadora (Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade):

Helena Sousa (helena@ics.uminho.pt)

Manuel Pinto (mpinto@ics.uminho.pt)

Joaquim Fidalgo (jfidalgo@ics.uminho.pt)

Dois livros …

…e alguns textos soltos