Os jornalistas e a crise

“Em privado, muitos economistas não escondem alguma irritação: boa parte da responsabilidade da actual crise e da volatilidade dos marcados financeiros é culpa dos jornalistas. Foram as suas notícias alarmistas, os seus títulos catastrofistas, que geraram a onda de pânico que abalou as bolsas e fez cair banco atrás de banco.
É certo que, por muito que custe admiti-lo aos economistas, a economia não é uma ciência exacta. E talvez nem seja sequer tão exacta como a resultante das centenas, ou milhares, de títulos e notícias que foram difundidas nas últimas semanas. Acreditar que foi a imagem da realidade transmitida pelos jornalistas que criou a crise é tão infantil como culpar uma bruxa por um terramoto: não resiste à análise dos factos, mesmo que seja imensa, até descomunal, a quantidade de disparates que possam ter sido escritos ou lidos por jornalistas ao longo desta crise.(…)”.

José Manuel Fernandes, Público, 17.10.2008