Silêncios e ruídos de Agosto

E se, nos meses de Agosto, se reduzisse as redacções a um piquete para emergências ? Uma espécie de serviços mínimos, com edições no ar ou no papel só se houvesse justificação especial? Os jornalistas podiam ir de férias. Poupava-se energias, descansavam as mentes.

Brincadeira? Sim, até certo ponto. É verdade que, pelo menos nos últimos vinte anos, volta e meia há uma guerra ou algum conflito para animar Agosto. Se não é na Rússia é no Líbano ou na Geórgia. Ou é o ‘combate’ aos incêndios. Mas, fora isso, que, mesmo assim, é puxado e ampliado até à exaustão (sem necessariamente a informação crescer em igual medida), era uma óptima ocasião ao menos para reduzir o gasto do papel e fazer telejornais de meia hora.

Este Agosto trouxe-nos um tema interessante: o silêncio. A líder da oposição entendeu que nos devia deixar sossegados e logo se levantou, dentro e fora do partido, um ruído enorme por causa do silêncio dela. Mas quando, em nome dela, alguém falou, foi para, por sua vez, verberar o silêncio do primeiro-ministro.

Ao mesmo tempo, nos Jogos Olímpicos de Pequim, falava (nos media) o silêncio das medalhas. E para lhe responder, vinha o ruído das declarações dos atletas, cada qual a mais ruidosa ou motivadora do mediático ruído.

É assim que, nos media, até o silêncio é ruído. E – paradoxal – continua a faltar o verdadeiro silêncio, aquele que deixa ouvir o que a vida, a natureza, os acontecimentos têm para nos dizer.

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