Os idosos ligam a TV. E a TV liga aos idosos?

Os portugueses com idade acima dos 64 anos viram, em média, cinco horas e meia diárias de televisão, segundo os resultados da Marktest Audimetria/MediaMonitor, acabados de divulgar.
Um volume de consumo desta dimensão deveria fazer tremer o país. Com as crianças (cujos consumos estão longe destes valores) preocupamo-nos com o tempo e o impacte da TV. Mas com os mais velhos actuamos como se já nada houvesse a esperar, como se não fosse dramático que centenas de milhares vegetem a olhar para o ecrã, sem oportunidades para o que se chama propriamente vida, abandonados a si mesmos, sedados por esse moinho de imagens que entretém e distrai.
O quadro não está a ficar mais risonho, com o passar do tempo. Pelo contrário: o consumo médio de televisão entre os idosos cresceu mais de meia hora diária, nos últimos cinco anos, de acordo com a mesma Marktest.
A divulgação de um dado deste calibre deveria inquietar e mobilizar. Nomeadamente os próprios media e, em especial, as televisões. Só que esta gente não tem pedigree na bolsa de valores televisiva. Vota mas compra pouco, porque pouco pode comprar. Conta para o bolo do rating e do share, mas não merece uns programas regulares que lhe dê voz e vez.
Uma resposta ainda que indirecta a este problema acaba de ser dada pelo diário The New York Times. O jornal criou há dias no seu site o The New Old Age, um novo blogue – o 60º ! – que se propõe debater o grave problema das gerações adultas que se deparam com os cuidados a proporcionar aos pais idosos que vivem cada vez mais tempo e cada vez mais dependentes. É um pequeno gesto.