Sobre “as coisas boas e elogiáveis”

Numa  Carta Aberta à Gulbenkian, no Jornal de Notícias, de hoje, escreve Paquete de Oliveira:

“(…) Perante esta situação indisfarçável de crise económica e social, que nem a maior fantasmagoria de perversa demagogia pode disfarçar, há contudo uma situação que agrava a realidade. Toda a gente desatou a carpir o momento de «desgraça nacional». No plano político, só o Governo procura diluir a caramunha, claro como lhe compete e convém. (…) Neste momento nada presta no país. Quanto mais se fizer passar a ideia de que o país está no charco, melhor. Neste contexto, venho fazer um pedido público à Fundação Gulbenkian: Que institua um prémio para atribuir a quem, individualmente ou em grupo, apresente um inventário fundamentado, cientificamente válido, das pessoas, das instituições, das coisas boas e elogiáveis, que podem levar-nos a ter uma réstia de esperança pelo futuro deste país”.

A sugestão de Paquete de Oliveira merece ser considerada. Creio que não é do mesmo registo de uma notícia de há dias, segundo a qual, na Roménia, o Parlamento acaba de aprovar um projecto de lei estabelecendo que, doravante, as notícias da TV e da rádio deveriam dar uma percentagem equilibrada de notícias negativas e positivas. Nem com a crítica que é frequente fazer-se à Imprensa e aos media de que o negativo é mais notícia do que o positivo.

O apelo tem um carácter mais conjuntural, ainda que não seja meramente pontual. Julgo que não põe em causa – antes pressupõe – que se informe sobre os problemas que existem e que em alguns casos se agravam. Apela antes a que se olhe para a realidade toda e não apenas para uma parte dela, ainda que dominante. E, sobretudo, que se tenha em conta os óculos com que se olha a realidade.

4 thoughts on “Sobre “as coisas boas e elogiáveis”

  1. Vinha esta manhã no meu carro a ouvir o noticiário da TSF quando o jornalista que debitava as notícias da manhã se refere à libertação de Ingrid Betancourt, dizendo que a senadora colombiana apareceu debilitada, tendo sido auxiliada durante o desembarque do avião.

    Todavia, hoje fui ao site do Público, onde se encontra um vídeo sobre o mesmo acontecimento, no qual se pode ver Ingrid a descer do avião sozinha e com notável agilidade para uma pessoa que esteve 6 anos na selva.

    O caso de Ingrid Betancourt é de facto dramático, mas penso que a verdade não deve ser deturpada, de forma a aumentar a carga negativa que já pende sobre a situação.

    E das duas uma: ou a TSF não viu as imagens do desembarque de Ingrid, ou viu mas acrescentou à história um ponto. Se o fez… fê-lo com que intenção?

    Rui Silva
    Almada

  2. Realmete, a imprensa brasileira deveria repensar o modo e caráter de sua publicações. Já não aguento mais ligar a tv e ver passando no jornal só más notícias, e ainda com sensacionalismo, aumentando ainda mais a desgraça. Trabalhamos o dia inteiro, chegamos em casa cansados, e para nos distrair ligamos a tv e só vemos tragédias e violência, preocupando-nos ainda mais. Temos que saber de tudo que acontece no mundo, de bom e de ruim, mas isso não precisa ser tão massante quanto está sendo!
    Fica aqui o meu desabafo!

    Sarah Menezes
    http://www.labusca.com.br

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