Sobre “as coisas boas e elogiáveis”

Numa  Carta Aberta à Gulbenkian, no Jornal de Notícias, de hoje, escreve Paquete de Oliveira:

“(…) Perante esta situação indisfarçável de crise económica e social, que nem a maior fantasmagoria de perversa demagogia pode disfarçar, há contudo uma situação que agrava a realidade. Toda a gente desatou a carpir o momento de «desgraça nacional». No plano político, só o Governo procura diluir a caramunha, claro como lhe compete e convém. (…) Neste momento nada presta no país. Quanto mais se fizer passar a ideia de que o país está no charco, melhor. Neste contexto, venho fazer um pedido público à Fundação Gulbenkian: Que institua um prémio para atribuir a quem, individualmente ou em grupo, apresente um inventário fundamentado, cientificamente válido, das pessoas, das instituições, das coisas boas e elogiáveis, que podem levar-nos a ter uma réstia de esperança pelo futuro deste país”.

A sugestão de Paquete de Oliveira merece ser considerada. Creio que não é do mesmo registo de uma notícia de há dias, segundo a qual, na Roménia, o Parlamento acaba de aprovar um projecto de lei estabelecendo que, doravante, as notícias da TV e da rádio deveriam dar uma percentagem equilibrada de notícias negativas e positivas. Nem com a crítica que é frequente fazer-se à Imprensa e aos media de que o negativo é mais notícia do que o positivo.

O apelo tem um carácter mais conjuntural, ainda que não seja meramente pontual. Julgo que não põe em causa – antes pressupõe – que se informe sobre os problemas que existem e que em alguns casos se agravam. Apela antes a que se olhe para a realidade toda e não apenas para uma parte dela, ainda que dominante. E, sobretudo, que se tenha em conta os óculos com que se olha a realidade.

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