Actualização de um manifesto

overholser_180pGeneva Overholser acaba de publicar uma actualização do Manifesto “On Behalf of Journalism: A Manifesto for Change”, publicado há cerca de dois anos.
Em 2006, escrevia ela que “o jornalismo, tal como o conhecemos, foi-se”. Hoje, anota ela agora, “acrescentaria que se abriu um vasto mundo novo diante de nós”. Não que as dificuldades e os medos se tenham dissipado. Mas…
“(…) so much has changed for the better in the past couple of years. In many traditional media organizations, newsrooms that were once innovation’s enemy now lead it. Old hands learn Drupal, bloggers adopt ethics codes. The old straitjacket about who is a journalist has been stripped off by the fast-emerging reality of aggregators and curators, citizen journalists and crowd sourcing. Collaboration and hybridization seem now to offer enormous potential”.
Geneva Overholser acaba de ser designada directora da Escola de Jornalismo da Annenberg School for Communication (Universidade da Carolina do Sul). Antes foi directora de The Des Moines Register, colunista do Washington Post , membro do conselho editorial do New York Times e provedora do leitor do Washington Post.

Uso da Internet cresceu sete vezes em dez anos

Cito da última newsletter da Marktest:
“O número de indivíduos que utiliza a internet aumentou mais de sete vezes de 1997 a 2007, tendo registado um crescimento médio anual de 23%. Em 2007, são cerca de 3,9 milhões os indivíduos que usam a rede global, um valor que representa 46.6% do universo em estudo.
Os mais jovens, os pertencentes às classes sociais mais elevadas e os estudantes são os que se destacam nesta matéria, com taxas de utilização da net bastante acima da média.
A maioria (55.4%) dos homens é utilizador de Internet, tal como 38.6% das mulheres, mas entre elas a utilização de Internet cresceu 10 vezes em 10 anos. A taxa de penetração mais elevada é observada junto dos estudantes: 95.8% deles utiliza a Internet, assim como 94.6% dos quadros médios e superiores, 94.4% dos indivíduos da classe social alta ou 94.2% dos jovens dos 15 aos 17 anos”.


Blogues preocupam Parlamento Europeu !

A Comissão da Cultura e Educação do Parlamento Europeu “sugere a clarificação do estatuto, jurídico ou outro, dos blogues e incentiva a sua classificação voluntária em função das responsabilidades e interesses profissionais e financeiros dos seus autores e editores”. A recomendação consta de um recente pronunciamento sobre concentração dos media. (ver a opinião crítica de José Luis Orihuela sobre o assunto).

Futuro dos jornais e do jornalismo

O futuro dos jornais” é a tradução para português, de um texto originalmente publicado na revista New Yorker por Eric Alterman, professor da Universidade de Nova York. A versão foi feita e publicada há dias pela Folha de São Paulo e é reproduzida na mais recente edição do Observatório da Imprensa.
É aí que Alterman retoma os termos do debate dos anos 20 entre Lippman e Dewey para se referir aos desafios da blogosfera ao jornalismo. E é também aí que deixa a pergunta: “A internet conseguirá lançar a mesma ‘luz’ sem os exércitos de jornalistas e fotógrafos que os jornais tradicionalmente empregaram? É uma questão a que talvez os democratas mais ardentes não queiram responder”.

Neste contexto, sugiro também a leitura de Il giornalismo dopo internet: un mestiere “al ribasso”?, post de Pino Rea no LSDI (Libertà di Stampa, Diritto all’Informazione), remete para uma recensão do livro “Le journalisme après internet” de Yannick Estienne, recentemente lançado em França. Nele é traçado um quadro preocupante das condições e da lógica predominante do webjornalismo neste país e se procede a uma análise da “astúcia da razão participativa” que leva a recuperar, instrumentalizando-a, a cultura libertária do “citizen journalism”.

Afinal há crise ou não há crise?

Uma semana depois de encerrar o congresso mundial de jornais, em Estocolmo, ainda se fazem ouvir os ecos sobre o significado a atribuir à informação ali apresentada pelos responsáveis da WAN (World Association of Newspapers). A ideia geral e ‘oficial’ foi que o grande desafio de uma imprensa que, apesar de tudo, continua a crescer, reside na inovação. E não faltaram sinais, ideias e testemunhos dessa aposta (bastará, para tal, rever os posts que foram sendo publicados em The Editors Weblog).
No pós-congresso surgiram algumas notas críticas do tom alegadamente demasiado ‘cor-de-rosa’ dos dados sobre o crescimento da circulação de jornais. Como se pode ver nos links citados mais adiante neste post, foi apontado (mas também contestado) um desfasamento entre o discurso dos directores e o dos empresários, sugerindo-se que a mensagem dos corpos directivos da WAN convergiria mais com os últimos. Mas, sobretudo, foi chamada a atenção para o erro grosseiro de leitura do crescimento global da circulação superior a dois por cento. E isto porque ele resultaria essencialmente do crescimento verificado em países em vias de desenvolvimento. Pelo contrário, nos países desenvolvidos, a tendência é exactamente a inversa (caso dos EUA, onde, dos 50 maiores jornais, quase um terço está a perder dinheiro).
Em Portugal, os ecos sobre estas matérias foram diminutos, a avaliar pelo que vi. Apesar de termos tido cerca de uma dezena de responsáveis do sector em Estocolmo, dá a impressão que cada um guarda o que tem a dizer para reportar aos seus pares, nos conselhos de administração ou nas direcções dos jornais. Mas não haverá matérias que seria necessário debater na praça pública?

Notas de leitura:

Juan Varela, em Periodista21, La dudosa buena salud de la prensa – “En las asambleas de editores de periódicos los datos son siempre buenos. Pero lo justo para seguir justificando las ayudas públicas a los medios. La realidad es otra y quienes están de verdad en la brecha lo saben bien”.

Roy Greensalde, no seu blogue em The Guardian: WAN 2008: Publishers and editors clash over illusion and reality – “(…) publishers and editors are living in parallel worlds. The congress, the publishers’ conference, was dominated by the upbeat statistics about the good health of newspaper sales, newspaper launches and newspaper profits (…). This was the great illusion. Yet all the discussions at the editors’ forum were dominated by how to deal with the decline – whether rapid or gradual – of newspaper circulations and the accompanying flight of advertising as people turn their backs on newsprint in favour of the internet. This was the reality”.

WAN’s Timothy Balding: why Roy, the digital ponderer, has got it all wrong – “If anyone is in a state of denial, it is our dear Roy. And that’s why, year after year, WAN has to give a reality check to him and the whole army of digital, pondering print undertakers, who seem clearly hurt by the enduring resilience and, yes, dirty word, ‘growth’ of print in the world. (And I haven’t even mentioned here the free daily phenomenon, which makes the figures look even better)”.

Stephen Glover, in The Independent The doom mongers are wrong – newspapers are booming: “When the pessimists go on about the death of newspapers in developed countries – and these figures suggest that they exaggerate their case – they tend to forget about their amazing success in Asia and parts of Africa, where rising literacy rates and increased spending power are driving higher circulation. To proclaim that the newspaper industry is dying is to take a very insular view. It is not true even in the West, where still only a minority of readers prefer the internet. In the Third World, where internet access is restricted, and is likely to remain so for some time, newspapers are a roaring success”.

Dean Singleton’s Speech In Sweden: 19 Of The Top 50 US Newspapers Are Losing Money: “In the future, there will be two categories of newspapers. Those that survive, and those that die … By my estimate, as many as 19 of the top 50 metro newspapers in America are losing money today, and that number will continue to grow”.

Mais:

40horasemserralves.blogs.sapo.pt/

Vale a pena fazer uma visita a “40 horas em Serralves”. Não apenas para ver/recordar o que foi esta overdose de música, cor e participação. Mas também para ver como, no espaço de um blogue, um grupo de estudantes dos cursos de Ciências da Comunicação das Universidades do Minho e Fernando Pessoa respondeu ao desafio que lhes foi lançado pelo Diário de Notícias.

Gratuitidade da informação: tendência

Torna-se progressivamente claro que a disponibilização do acesso gratuito à informação do dia e à dos arquivos faz parte da estratégia do negócio de um cada vez maior número de media (não apenas nos jornais) e configura, pelo menos em algumas latitudes, um modelo de nova economia das empresas jornalísticas. Se não fosse por mais nada seria porque a abertura de portas faz crescer as visitas e o volume destas condiciona a publicidade e o respectivo preço. Depois do anúncio, há um mês atrás, de que o Times, de Londres, vai colocar em regime de acesso gratuito (pelo menos para já) o seu arquivo bicentenário, foi agora a vez de o italiano La Stampa fazer o mesmo, disponibilizando o seu arquivo desde 1867, num total de mais de cinco milhões de artigos e de 4,5 milhões de imagens. O mesmo tinha feito, há bastante tempo, a Time e, mais recentemente, fez já a Newsweek (que está em processo de abertura do arquivo com recuo até 1933). Por sua vez, The New York Times revelava, em Março, que, desde que abriu as comportas para o seu fundo documental, em Setembro passado, o movimento de procura do arquivo mais do que duplicou.

Num sentido convergente, ainda que num movimento de sentido distinto, o jornal canadiano Globe and Mail anunciava também a decisão de tornar livre o acesso ao conteúdo da sua informação na web, incluindo as colunas de opinião.

(Com dados de: Ponto Media e Prima Communicazione)

Jornalistas assessores da selecção?

” (…) Ora, embora não faltem teses que identificam os confrontos desportivos como uma forma de sublimação das guerras de outras eras, nem por isso os jornalistas devem “vestir” a camisola da selecção. Na cobertura de um acontecimento como o Euro 2008, há lugar para uma combinação de géneros jornalísticos diversificados, em que, por exemplo, uma crónica de opinião tem uma vasta margem de manobra para expressão de ideias e preferências, mas não há argumentos razoáveis que justifiquem a distorção dos relatos noticiosos e muito menos a omissão de informações de interesse público”.

Mário Bettencourt Resendes, “Jornalistas não são assessores da selecção“, in DN, 7.6.2008

Twitter na cobertura da marcha lenta do Porto

O cenário era “ideal” para montar uma operação de cobertura recorrendo ao microblogging participativo e, por exemplo, ao Twitter. Um eixo estruturante previsivelmente paralisado; uma confusão generalizada no trânsito do Porto; a necessidade de informação sobretudo para quem quer sair da cidade; gente previsivelmente em condições de dar informação de locais inacessíveis aos jornalistas…
Mas, que se saiba, nada disso aconteceu. Teria sido uma excelente oportunidade para o JN, em tempos de investimento no seu novo site. Vinda demasiado cedo?
Assim, resta ver a cobertura através dos takes da Lusa, com títulos que não deixa de ser interessante analisar:

# 14:04 – Protesto começa às 17h00 – Camiões entopem Porto para reivindicar apoios contra aumento de combustíveis (Público online)
# 17:55 – Trânsito no Porto ainda não foi afectado (JN.pt)
# 18:08 – Trânsito completamente bloqueado às 19 horas na VCI do Porto (JN.pt)
# 18:10 – Trânsito no Porto ainda não foi afectado (Expresso online)
# 18:16 – Camiões: marcha lenta já arrancou (Portugal Diário)
# 18:36 – Marcha lenta ainda não prejudicou o trânsito (Portugal Diário)
# 18:40 – Camiões começam a entupir Via de Cintura Interna (JN.pt)
# 18:44 – Entrada na cidade do Porto pela A4 já entupida, junto às portagens de Ermesinde, na A4 (JN.pt)
#18:52m – Camiões estão a ser encaminhados para Alameda 25 de Abril (JN.pt)
#19:16m – Nos primeiros 30 minutos entraram na VCI 127 camiões (JN.pt)
# 19:48m – Entrada na cidade do Porto pela A4 já entupida.

Quando os gatekeepers decidiam sozinhos

“Antigamente era esperado que ficássemos sentados quietos e deixássemos os gatekeepers [editores e outras pessoas com funções de selecção de notícias] decidir o que devíamos ver, o que devíamos pensar e o que devíamos fazer. Hoje a tecnologia permite que tomemos conta das nossas próprias vidas – quer seja através de blogues, de podcasting, das redes sociais, de sites como o My Space ou o Facebook, de wikis ou do YouTube. As pessoas estão rapidamente a adoptar uma miríade de tecnologias da informação que estão a emergir da Internet e estão a utilizá-las para se tornarem participantes activos na cultura.”

“Somos a primeira geração a ter acesso directo e individual ao mundo e às tecnologias emergentes. Somos a primeira geração a ultrapassar os antigos gatekeepers para comunicar com as massas – é disso que se trata, comunicar com os outros. E não deixamos que alguém filtre ou altere ou censure estas comunicações.”

Markos Moulitsas Zúniga, citado por Clara Coutinho, in Público – P2, 6 de Junho de 2008

150.000

Este blogue atingiu agora as 150 mil ‘page views’, desde que existe na plataforma WordPress (meados de Janeiro de 2007). Na anterior incarnação, de 2002 a 2006, no Blogger, esse número ronda as 630.000. O nosso obrigado aos que se interessam por este espaço especializado de informação e opinião.

Ética e Deontologia na Prática Jornalística

Decorre amanhã uma aula aberta leccionada pelo Prof. Joaquim Fidalgo sobre o tema “Ética e Deontologia na Prática Jornalística”.
A iniciativa é da cadeira de Sociologia das Profissões do Curso de Mestrado (2º Ciclo) de Sociologia, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho e decorrerá às 18 horasm na Sala 1216 do Complexo Pedagógico 1.

Microblogging | 3

Poderá falar-se de uma cidadania 2.0?

Quatro professores do Departamento de Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade Autónoma de Barcelona orientam amanhã, quinta-feira, às 9.30, em Braga, um seminário de investigação sobre o tema “Las nuevas formas de participación de la ciudadanía plural en los medios de comunicación”.
Nessa sessão, que decorrerá na Sala de Seminários do Instituto de Ciências Sociais da universidade do Minho, serão apresentadas diversas investigações e projectos relacionados com a participação dos cidadãos com base nas novas tecnologias da comunicação. Será equacionada, em particular a questão: “Será que a web 2.0 cria, de facto, uma nova cidadania? Poderá falar-se de uma cidadania 2.0?