Jornalismo: ênfase e silenciamento

logoVIapsA lógica de agendamento e de cobertura dos media manifesta-se de forma exuberante em certos momentos. Como nestes dias, em que, a escassos metros de distância, decorrem na Avenida de Berna, em Lisboa, dois grandes congressos: um, o Congresso Feminista, promovido pela UMAR, que decorre na Gulbenkian até amanhã. Outro, o VI Congresso da Associação Portuguesa de Sociologia (APS), sobre o tema Mundos Sociais: saberes e práticas, que decorre até amanhã na Universidade Nova.
O primeiro celebra os 80 anos do último congresso feminista que se realizou em Portugal e enfatiza “a necessidade de desafiar as estruturas patriarcais da sociedade que ainda mantêm as amarras das mulheres a situações de discriminação e opressão”. O segundo reúne mais de mil participantes, acolhe 650 comunicações e é espaço para a reunião de uma boa parte daqueles que pensam a sociedade portuguesa nos seus vários sectores e subsistemas.
Perante isto, que vemos nós nos média e em particular na Imprensa? Um enorme destaque dado ao congresso feminista e um silenciamento quase total do congresso dos sociólogos. É evidente que o primeiro tem mais (sex) appeal do que o segundo e que a UMAR se empenhou, nos últimos meses em mobilizar e agendar o seu acontecimento. E fez bem. Também é verdade que não é fácil cobrir uma iniciativa como a da APS, que quase não deixa uma área da vida pública sem a apresentação de algum estudo. Mas daí a não se dizer (praticamente) nada vai uma grande distância.

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