Rankings escolares: como os tratou o Público

fotoBeneditanewBenedita Portugal e Melo acaba de defender, de forma brilhante, a sua tese de doutoramento em Sociologia da Comunicação, da Cultura e da Educação, a qual incidiu sobre o modo como o jornal Público tratou a questão dos rankings escolares, entre 2001 e 2003 e as percepções sobre o mesmo assunto por parte de professores do 12º ano.
Apresentada ontem no ISCTE, a dissertação foi orientada pelo Prof. José Madureira Pinto, catedrático de Sociologia da Faculdade de Economia do Porto e pela Prof. Maria Manuel Vieira, Investigadora do Instituto de Ciências Sociais, de Lisboa.

No que ao Público diz respeito, a investigação realizada conclui que o jornal revelou um acentuado poder de agendamento (político-mediático) da matéria dos rankings, com particular incidência em 2001, ano em que ‘forçou’ o poder político a divulgar os dados dos exames nacionais. O diário contribuiu igualmente para lançar e alimentar o debate público sobre o assunto. Em contrapartida, a autora chegou à conclusão de que o debate se desenrolou em torno de um leque redutor de perspectivas ideológicas, muito marcado pela orientação do seu director e dando pouca expressão aos resultados da investigação científica sobre as questões da avaliação do ensino e da educação.

Benedita Portugal e Melo realizou um inquérito por questionário junto de 85 docentes do 12º ano do ensino secundário e analisou 1095 edições do Público, recolhendo e analisando as 2838 peças relacionadas com educação publicadas em 2001, 2002 e 2003, mais de mil das quais relacionadas com avaliação e rankings.

Enquanto se aguarda a publicação deste trabalho em livro, os interessados poderão ir lendo algumas conclusões preliminares AQUI.

2 thoughts on “Rankings escolares: como os tratou o Público

  1. É curiosa a tese de o debate se ter desenrolado em torno de um leque redutor de perspectivas ideológicas, sobretudo com tantos e tão diferentes textos de opinião que foram publicados.
    Interrogo-me contudo se esta conclusão da autora que retirei da síntese – “assim, em vez da proclamação da democratização do ensino e da promoção da igualdade de oportunidades no acesso e sucesso de todos à educação, defende-se a meritocracia, isto é, o rigor, a selectividade e a excelência académica, bem como o direito à livre escolha educacional por parte das famílias num mercado escolar que será tanto mais competitivo e excelente quanto mais sujeito estiver às leis da concorrência” – será académica ou, também ela, ideológica. Isto para além de ser confusa ou redutora: porque é que a democratização é alternativa ao mérito? porque é que se associa meritocracia à escolha das escolas? quantas nuances de opinião existem entre estas simplificações grosseiras?
    O enviesamento ideológico, muito evidente se notarmos os autores mais vezes citados, com destaque para o inevitável Romanet, foi questionado nas provas de doutoramento? Ou a tese evita os erros das conclusões preliminares?
    José Manuel Fernandes

  2. É uma pena que o José Manuel Fernandes saiba tão pouco sobre os assuntos de que fala. E é mais grave quando os assuntos dizem respeito a questões educativas.
    Já agora seria interessar saber o que José Manuel Fernandes diria de alguém que, como é o caso dele, dirige um jornal que se revela tão desleixado em relação ao bom uso da língua portuguesa e que é feito com tão pouco cuidado. Em duas edições recentes do caderno P2, há crónicas que não finalizam.

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