Redes sociais: contrastes geracionais e de género

obercom web 1.5 O OberCom acaba de publicar mais um relatório, sobre “Web 1.5: As redes de sociabilidades entre o email e a Web 2.0“. Este estudo “centra a sua análise nas ferramentas de comunicação e interacção em tempo real mais populares – IM (instant messaging, programas de mensagens instantâneas), SOE (social online environment, redes sociais on-line) e VoIP (voice over Internet protocol) – cujos modos de utilização confirmam o ciberespaço na sua dimensão comunicacional e enquanto espaço propício à desterritorialização das sociabilidades”.

“Verificou-se – acentua o estudo – que é no campo das sociabilidades (friend-to-friend, peer-to-peer) que maioritariamente se faz uso das Mensagens Instantâneas (IM) e das Redes Sociais Online (SOE). Existem, todavia, diferenças a destacar no uso destas aplicações uma vez que esse uso é mais elevado e intenso em determinados grupos sociodemográficos. Assim, foram identificados contrastes, sobretudo geracionais, de género e motivacionais para se ‘contactar’ e ‘estar on-line’. Em síntese, se o IM surge tendencialmente mais como meio de gestão quotidiana das relações de amizade, de proximidade e familiares, as quais se prolongam no mundo offline; os SOE tendem a constituir espaços de sociabilidade com os círculos de amigos mas também propícios à interacção com desconhecidos e à experimentação e desenvolvimento de relações mais fluidas e débeis, contudo mais criativas e performativas do próprio sujeito, que aí encontra não só um espaço de apresentação de si como também de representação de si, o que significa que é um espaço mais propício a jogos de identidade e ao desenvolvimento de novas formas discursivas”.

One thought on “Redes sociais: contrastes geracionais e de género

  1. Já li este relatório na íntegra e parece-me conter dados que nos merecem reflexão. A questão da “sociabilidade em rede” está claramente em aberto. As perspectivas mais sombrias afirmadas por vários autores de que a imersão nos ambientes virtuais, pela via do impulso da conectividade, pode estar a disseminar ligações fracas e a diminuir a sociabilidade fundada nas relações inter-pessoais fortes pré-existentes, logo, a reforçar aquilo que Dominique Wolton designa pelas “solidões interactivas”, parece-me ser contrariada neste estudo do OberCom, pelo menos nas parcelas (importantes) relacionadas com ferramentas do software social como as mensagens instantâneas e as redes sociais. Chama-me particularmente a atenção o facto de a grande maioria dos utilizadores de redes sociais (onde se cruzam com estranhos e podem cultivar laços ténues) também utilizar as mensagens instantâneas como complementares à sociabilidade construída pelos percursos de vida.

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