Museu da Imprensa: 15 Exposições em 10 cidades

As comemorações do “25 de Abril” e o Cartoon estão a marcar as actividades do Museu Nacional da Imprensa, com a apresentação de 10 exposições de norte a sul do país, para além das 5 patentes na sua sede, prosseguindo a sua política de descentralização cultural.

Em Guimarães podem ser vistas duas mostras (a partir do dia 25) promovidas pela autarquia local: “Livros Proibidos na Ditadura de Salazar” na Biblioteca Municipal Raul Brandão; e “RevoluSam” no Museu de Arte Primitiva Moderna.
As centenas de cartazes que o MNI possui sobre o 25 de Abril, permitem que Albergaria, Palmela e Sesimbra possam mostrar ao público, dezenas de cartazes alusivos à “Revolução dos Cravos”. Promovidas pelas respectivas Câmara Municipais, as exposições apresentam ícones do “25 de Abril” da autoria de Vieira da Silva, João Abel Manta e Vespeira.
Em Santo Tirso, o Museu Municipal Abade Pedrosa tem patente ao público a exposição “Bordallo Pinheiro: um génio sem fronteiras”.
O Museu do Hospital das Caldas da Rainha apresenta a exposição internacional de cartoon “Água com Humor”. Em Paços de Ferreira, na Casa da Eira (no Parque Urbano) podem ser vistos cerca de 40 dos melhores desenhos (em reproduções) desta mostra.
A “Fuga Real por um triz” está no Aeroporto do Porto (Maia) até 6ª feira, dia 18.
Na sua sede, o Museu Nacional da Imprensa tem patentes cinco mostras: “memórias vivas da imprensa” (permanente); “As Manchetes do Regicídio”; a mostra original da “Fuga Real por um triz”; o “IX PortoCartoon” e o Riso do Mundo. Esta última mostra tem uma extensão na estação da CP de Braga.

“É possível ou não ao jornalista ser neutro?”

“(…) não sejamos ingénuos: somos todos os dias expostos à opinião dos jornalistas – na selecção das notícias, nas fontes usadas, nas imagens que nos mostram, nas palavras usadas para descrever os factos. Isto não é novidade nenhuma. Mas tendemos a esquecê-lo: veja-se por exemplo a forma como as notícias e os comentários sobre os assuntos económicos são produzidos e a sua exacta reprodução da ideologia liberal. Mas num momento em que o “economês” se tornou doutrina oficial, perdemos a capacidade de ver que há também aí um discurso ideológico. E é na esfera da reportagem sobre temas sociais que se tornam mais visíveis as convicções dos jornalistas. Não porque só aí existam, mas porque, felizmente, aí a hegemonia de pontos de vista ainda não impera.
Para além do aproveitamento político do momento e da “espuma das ondas” que há-de passar, a questão a formular sobre o incómodo que Fernanda Câncio causa é, por isso, outra, e prende-se com a concepção de jornalismo que temos e que desejamos. É possível ou não ao jornalista ser neutro na leitura do real? É ou não possível separar as convicções pessoais do tipo de jornalismo que se faz? Cabe ou não ao jornalista contribuir para a crítica e a mudança social? Deve ou não o jornalista assumir publicamente o seu ponto de vista sobre os assuntos que investiga?
As minhas respostas são fáceis de adivinhar: não acredito em “olhares de sítio nenhum” e prefiro o jornalismo que explicita um ponto de vista; é mais transparente e constrange menos a formação da minha opinião.”
Carla Machado in Público, 14.4.2008

Jornalismo participativo e os sites dos jornais

Photobucket A Newspaper Association of America pediu a Mark Toner um ‘livro branco’ sobre a relação entre o jornalismo participativo e os sites dos jornais. O resultado (mais um ‘folheto’ do que um livro) é Citizen Journalism and Newspaper Sites: The Revolution will be Uploaded.

Comentando este trabalho, Leonard Witt escreve: “It is a fine overview of what is happening, and includes topics like Beatblogging, Citizen Witnesses, Social Media, Crowdsourcing, Teamsourcing and our own Representative Journalism”.

Seis anos imberbes e dinaussáuricos

Foi a 11 de Abril de 2002 que a Elisabete Barbosa, a primeira entusiasta deste projecto – publicou o primeiro post do “Jornalismo & Comunicação”. Vivemos quase cinco anos no Blogger, até nos mudarmos para o WordPress. Bastante mais de meio milhão de visitas, neste espaço de tempo.
São seis aninhos paradoxais: imberbes e inevitavelmente dinossáuricos.

Para que serve um jornal diário?

Atente-se na assertividade do título da peça hoje publicada no Diário de Notícias: “Ministério e sindicatos em ruptura definitva“.
Observe-se o arranque do texto e o futuro do verbo:
“Desta vez, a separação será definitiva. Da quarta ronda de negociações entre o Ministério da Educação e os sindicatos do sector, que decorreu ontem no Conselho Nacional de Educação, resultaram as mesmas divergências dos dias anteriores, principalmente em relação à uniformização dos critérios de avaliação em todas as escolas”.
O início do segundo parágrafo é altamente esclarecedor para entender o alcance do primeiro: “À hora do fecho da edição, a reunião entre as partes ainda decorria (…)”.
Nem vale a pena determo-nos a pensar como é que o jornalista e o jornal se atrevem a afirmar tão peremptoriamente o carácter definitivo da ruptura, quando a reunião ainda não tinha acabado. As perguntas a fazer são mais básicas (atendendo ao desfecho, entretanto conhecido, da reunião): O que é notícia? E, sobretudo, para que serve um jornal diário?

Nau – nova revista para o audiovisual

cover_262O Núcleo de Pesquisa Audiovisual da INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação acaba de lançar uma nova publicação centrada no cinema, televisão e digital – a Revista Nau. Alguns dos textos deste número inaugural:

Leituras de uma realidade turbulenta

Duas sugestões de leitura, ambas indicadoras do momento de agitação presente no jornalismo:

1. Financial Woes Now Overshadow All Other Concerns for Journalists

2. New study finds that newspaper blogs fail to increase public dialogue

Novos blogues e não só

Dois destaques dos últimos dias:
ÍNTIMA FRACÇÃO – É um blogue e um podcast, mas é, antes disso, e desde há 24 anos, um programa de rádio e um programa de música, Íntima Fracção de seu nome, com Francisco Amaral como autor. Está agora no site do Expresso à espera de visita. Segundo Amaral, “pela primeira vez na imprensa portuguesa, um jornal tem um programa de música próprio”.

CIBERESCRITAS – Era uma coluna da jornalista do Público Isabel Coutinho. Passou desde há dias a ser também um blogue, acessível no site do jornal. Antecipa matérias do Ípsilon, onde a coluna é agora publicada; disponibiliza materiais que a versão escrita não permite incluir e o mais que se verá.

Jornalismo Online (Austin) – sumário

O simpósio internacional de jornalismo digital, que teve lugar no fim da semana passada, na Universidade de Austin-Texas, contou também com a presença de Beth Saad e a sua leitura (post 1 e post 2) dos trabalhos merece acompanhamento atento.
Excerto:

Aproximar-se do leitor, construir comunidades não significa apenas oferecer ferramentas no website. São conhecidos e fartos os exemplos de operações digitais que oferecem áreas de blogs, espaços para comentários, recomendações de conteúdos, criação de redes de interesses, compartilhamento de fotos, vídeos, entre outros. As grandes questões são: como a redação pode se aproveitar do imenso volume de dados e informações explícitas e contextuais que circulam por estas áreas; quem se envolve com isso; como manter em fluxo contínuo todo esse processo.

Obercom – os blogs em Portugal

O Obercom acaba de disponibilizar um estudo feito com base em dados de 2006 sobre os blogs e os bloguers (sic) portugueses.
Excerto das conclusões:

Na percepção dos bloguers portugueses, a blogosfera em geral não é dominada pela prática jornalística nem pela agenda dos mass media tradicionais. Em comum, os bloguers portugueses também partilham a ideia da forte segmentação temática da blogosfera.pt, e entre a pluralidade temática ambos canalizam as suas preferências para a leitura, interacção e produção de blogs relacionados com entretenimento (40%) seguido pelos lifelogs (entre 20% no caso dos bloguers-consumidores e 30% no caso dos bloguers-produtores).

[Sugestão recolhida no Ponto Media]

Números que refectem uma sociedade que (não) vemos

Os jornais do fim-de-semana estão cheios de números. Números resultantes de estudos que demonstram que as notícias das últimas semanas não são propriamente uma novidade. São, antes, uma realidade que existe há algum tempo, nuns casos; ou uma construção que exacerba o desenho do real, noutros.

Perigo na estrada. Diz o “Expresso” que os atropelamentos com fuga do condutor fazem mais de uma vítima por dia. O “Jornal de Notícias” publica um destaque onde se pode ler que um número significativo de mortes na estrada acontece devido não só ao excesso de álcool dos condutores, mas também por causa do consumo de drogas que duplicou no ano passado em relação a 2006. Os media falam de atropelamentos com fuga e de condutores com alto consumo de droga como casos isolados. São graves, mas não são singulares.

Perigo em casa. Um relatório divulgado esta semana pela Procuradoria-Geral da República, ampliado em toda a imprensa nacional, informa que os crimes sexuais contra menores triplicaram em Portugal entre 2002 e 2007, contabilizando cerca de 1400 casos/ano. Os crimes com crianças institucionalizadas rondam uma percentagem na ordem dos três por cento. Na opinião pública há, no entanto, uma ideia generalizada de que as instituições sociais serão mais vulneráveis a este tipo de prática devido ao hipermediatizado caso “Casa Pia” cuja Provedora, em entrevista ao “Expresso”, se queixa precisamente disso: da imagem estereotipada que se tem da Casa que dirige.

Perigo na escola. O “Expresso” escreve isto na primeira página do Caderno Principal: “A Direcção-Geral de Reinserção Social tem em mãos 94 casos de menores condenados em tribunal a medidas tutelares educativas pela prática de furtos, agressões, danos patrimoniais ou até posse de armas na sua escola”. Significa isso que a realidade denunciada nos últimos tempos por Pinto Monteiro não é de hoje. Se prestarmos atenção à edição do “Público”, poderemos acrescentar que se trata de uma situação com mais de uma década. Segundo dados recolhidos pela Equipa de Missão para a Segurança Escolar, o número de armas de fogo apreendidas no último ano lectivo é semelhante àquele reunido há dez anos e os das agressões de alunos a professores diminuíram em quase metade em 2007, totalizando 185 casos, comparativamente ao ano anterior, em que se registaram 390.

Estes estudos demonstram que os meios de comunicação social têm andado um pouco desatentos em relação àquilo que se passa no plano social. No entanto, os recentes casos, que os media tanto noticiaram, tiveram, pelo menos, o mérito de fomentarem a discussão desse mundo real no espaço público (mediatizado).

Simpósio de Jornalismo Digital

Já arrancou mais um Simpósio Internacional de Jornalismo Digital organizado pela Universidade de Austin-Texas. Importará assinalar a presença de três portugueses – António Granado (Público, UNova), Fernando Zamith (Lusa, UPorto), João Canavilhas (UBI).
É possível acompanhar as sessões em directo, é possível seguir o blog e ver as fotos e é ainda possível descarregar os textos de algumas das comunicações a apresentar.

Direitos da comunicação e papel dos media

Acaba de ser publicado e disponibilizado em acesso gratuito o livro Reclaiming the Media: Communication Rights and Democratic Media Roles, editado por Bart Cammaerts e Nico Carpentier, nas edições Intellect.

Eis o índice e o acesso directo a cada um dos capítulos:

Part 1
Citizenship, the Public Sphere, and Media, by Bart Cammaerts

Making a difference to media pluralism: a critique of the pluralistic consensus in European media policy, by Kari Karppinen

Communication and (e)democracy: assessing European e-democracy discourses, by Arjuna Tuzzi, Claudia Padovani, and Giorgia Nesti

Reducing communicative inequalities: towards a pedagogy for inclusion, by Margit Böck

Part 2
Participation and Media, by Nico Carpentier

Citizen participation and local public spheres: an agency and identity focussed approach to the Tampere postal services conflict, by Auli Harju

Towards fair participation: recruitment strategies in Demostation, by Egil G. Skogseth

Representation and inclusion in the online debate: the issue of honor killings
by Tamara Witschge

Part 3
Journalism, Media, and Democracy, by Nico Carpentier

Coping with the agoraphobic media professional: a typology of journalistic practices reinforcing democracy and participation, by Nico Carpentier

Disobedient media – unruly citizens: governmental communication in crisis, by Hannu Nieminen

On the dark side of democracy: the global imaginary of financial journalism, by Anu Kantola

Part 4
Activism and the Media, by Bart Cammaerts

Contesting global capital, new media, solidarity, and the role of a social imaginary, by Natalie Fenton

Civil Society Media at the WSIS: a new actor in global communication governance?, by Arne Hintz

Media and communication strategies of glocalized activists: beyond media-centric thinking
by Bart Cammaerts.

…se o alternativo cresce…então…

No último dia das jornadas de Ciências da Comunicação falou-se muito em alternativa – de espaços, de estratégias e até de rumos profissionais.
Pareceu-me refrescante, não apenas pela indicação de sensibilidade do GACSUM a estas temáticas, mas sobretudo pelo que revela de mudança na área.
Tanto os intervenientes (profissionais externos e formados na casa) como a audiência estão hoje, mais do que em momentos anteriores, conscientes das transformações em curso e da necessidade de as encarar como desafios. Second Life, marketing de guerrilha, jornalismo hiper-especializado, produção para TDT são sinais de um universo de possibilidades em crescimento – não são blips momentâneos ou acidentes marginais; são, aliás, tendencialmente, menos e menos alternativa à produção dita tradicional (vejam-se as projecções avançadas por este estudo da PQMedia de que, dentro de 4 anos, o investimento publicitário na área representará cerca de 25 por cento do ‘bolo’ global nos EEUU) e mais e mais parte integrante de uma realidade em mutação.
Parabéns ao GACSUM.