“Comunicação e Sociedade” disponível online

A revista científica “Comunicação e Sociedade”, da Universidade do Minho (UM), passou a estar disponível online, no portal REVCOM.
Editado pela Campo das Letras, este periódico de periodicidade semestral é da responsabilidade do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da UM, tendo começado a publicar-se no final de 1999, então integrado numa publicação de ciências sociais intitulada “Cadernos do Noroeste”.
A “Comunicação e Sociedade“, que é dirigida pelo Prof. Doutor Moisés de Lemos Martins, foi agora disponibilizada em formato digital a partir do seu quarto número, estando acessíveis oito volumes.

“Um país, para se conhecer a si mesmo…”

Fazer de um telejornal a apresentação minuciosa de acidentes, desastres, polícias, ladrões e jogadores de futebol não é, de certeza, a única informação que interessa. Um país, para se conhecer a si mesmo, precisa, em primeiro lugar, de ser informado acerca do que está a nascer, a crescer e a desenvolver, em todos os sectores da vida e da actividade. A melhor pedagogia não é aquela que só sabe mostrar o que está mal, mas a que ajuda a potenciar o que há de melhor nas pessoas, nos grupos, nas instituições. Com inteligência e boa vontade, com os recursos de que os meios de comunicação podem dispor, é possível fazer mais e melhor.

Bento Domingues, in Público, 9.3.2008

Ou porque não há remédio para essa doença [dizer mal de nós] ou porque o masoquismo a reforça, dia em que jornais e televisões não se deliciarem a mostrar que estamos na cauda da Europa, em último lugar em tudo o que é bom e em primeiro em tudo o que é mau, não é dia. Parece que Portugal existe apenas como cabide de desgraças descritas até ao mais ínfimo pormenor. E uma chaga sem corpo. Como está tudo mal, as reformas são impossíveis, pois não há nada a reformar. Os cadáveres são irreformáveis. Mas, se alguém tiver a ousadia de mostrar que há reformas inadiáveis para tornar viável o futuro da vida nacional, a reacção é imediata: não estraguem o país com reformas. Quando as reformas estão em marcha, era preciso ter tempo para as discutir porque são precisas, mas não assim. Depois, se as reformas não são realizadas, a orquestra dos mesmos começa a tocar: somos um país adiado, isto nunca mais vai para a frente.

Ibidem