“Crowdsourced news”: leituras

Crowdsourced News: The Collective Intelligence of Amateurs and the Evolution of Journalism, de Melissa Metzger [no quadro de um master na London School of Economics and Political Science].

A este propósito, pode ler-se igualmente, do autor de The Rise of Crowdsourcing, Jeff Howe:

Chapter Two: Rise of the Amateur
Chapter Two: Rise of the Amateur, Continued.

TV pública: “educar, despertar e excitar”

É conhecido que o governo francês se prepara para mexer no serviço público de rádio e televisão. A supressão total da publicidade foi um tema de debate lançado por Sarkozy, numa conferência de Imprensa, no início de Janeiro, mas as mexidas não deverão ficar por aqui. O presidente francês acaba de dar posse a uma comissão para “uma nova televisão pública”, defendendo, no discurso feito na ocasião, a necessidade – aparentemente a “quadratura do círculo” – de dotar a França de uma televisão popular, liberta da “tirania da audiência” e, a partir de 2009, sem publicidade ou, pelo menos, iniciando um percurso orientado nessa direcção. Uma televisão pública capaz de “educar, despertar e excitar”. Palavras de Sarkozy: “Excitar a curiosidade, despertar a consciência, educar o espírito”. A questão é: como financiar, a partir de 2009, o serviço público de televisão? Vale a pena ler o discurso presidencial, para antever os caminhos sugeridos.

Para ver/ouvir/ler o discurso de Sarkozy: AQUI.

Parabéns, Expresso

O semanário português Expresso foi considerado um dos quatro mais bem desenhados jornais do mundo pela reputada Society for News Design.
Sobre o jornal do grupo Impresa o júri disse o seguinte:

Expresso is gentle and graceful. Cleanly designed pages are anchored by unusual graphics and powerful images that put an ingenuous and playful stamp on storytelling. Portugal’s National Environmental Month was illustrated by a winding green vine rising bottom to top on the front page and continuing throughout the issue — a remarkable twist.
Gentleness and intimacy are evident in photography, frequently large, up-close and beautifully reproduced. Expresso tells readers it’s in the loop and wants to take them along for the ride. Audacious spreads are playful. An ad with a donkey bled from one page to the adjoining one, with the unsuspecting donkey suddenly finding itself the target of a rifleman in an editorial photo. It’s a visual pun we’d like to think was intentional. It’s also a nod to confident, irreverent designers.

Video feito no ano passado pelo próprio Expresso sobre o seu design:

Parabéns, Expresso.

[Informação recolhida no ContraFactos]

“O caso de ontem e a justificação de hoje”

Vivemos neste momento, em Portugal, encerrados num debate sobre o caso de ontem e a justificação de hoje. Jornalistas, primeiro-ministro e oposição, antes e depois daquela entrevista [à SIC e ao Expresso], vivem empenhados num exercício de justificação que é no essencial sobre o agora e o pouco antes. O problema é que isso deixa de ser política. José Sócrates falou, eficazmente até, mas apenas de administração: porque fecha aqui e não ali. Perdeu-se o longo prazo. Perdeu-se até o médio prazo, numa compressão temporal que torna tudo estático. (…) o que se pede não é um discurso grandiloquente sobre “o sonho”, “a visão” e “a esperança”, à la Barack Obama. É muito mais simples, e mais difícil, do que isso: o que gostariam de ver acontecer no Portugal dos próximos quatro ou cinco anos? Qual é o debate que consideram central? Não vale responder: “a justiça”, “a saúde”. Isso é um tema, não é um debate. Um debate será, no mínimo, um tema e um argumento, e um objectivo que esse argumento justifica.

Rui Tavares, Falta futuro, in Público, 20.2.2008 

Tabu, dizem eles

Sócrates disse, na entrevista à SIC, que não respondia à pergunta sobre se, sim ou não, tenciona candidatar-se a um novo mandato como primeiro-ministro. Disse que, a ano e meio das eleições, a prioridade era governar. Enfim: retórica? prudência? bom senso? Para o caso não interessa. O que é certo é que, uma vez mais, os media, quase em uníssono – a começar logo no debate que se seguiu na SIC-N – chamaram a isto um “tabu”.

Designar deste modo o que se passou não é apenas falta de imaginação, é uma incorrecção. Repetida quase ad nauseam, a cada passo, por tudo e por nada.

O conceito de tabu está associado à ideia de interdito, de proibição, de impedimento, ainda que já não revista carácter sagrado. Poder-se-ia aceitar que o termo fosse aplicado a um quadro em que o protagonista procurasse esquivar-se a responder a um enigma ou a anunciar uma decisão esperada. Ou que procurasse dramatizar esse quadro, criando em torno dele um suspense ou um interdito. Mas não é nada disso que aqui está em causa. Como não é na maior parte das vezes em que os media utilizam o conceito.

O abuso já foi criticado e desconstruído. Nada. Há uma espécie de cultura de grupo, de ‘framing’ partilhado, de atracção ‘fatal’ que empurra quase todos para a incorrecção.

Em breve os dicionários registarão: Tabu – acto ou efeito de uma não resposta.

As questões de um attach trocado

A informação vem no blog que Romenesko publica no site do Poynter.org e mostra o que pode acontecer a qualquer um: o presidente da célebre Escola de Jornalismo de Columbia, Nicholas Lemann, pensava que estava a enviar uma mensagem aos alunos da instituição, mas aquilo que seguiu no anexo foi, porém, a sua auto-avaliação da escola e da actuação que tem tido à frente dela, que deveria ter seguido para o provost da Universidade. Dois pontos dessa missiva, uma vez no domínio público, revestem-se seguramente de interesse para o debate sobre o ensino e a formação de jornalistas:

  • “I cannot be sure how long our school can continue to thrive if the profession it serves is not thriving. We have many advantages, including our financial resources, our location, our worldwide reputation, our strong relationships with employers, and the quality of our faculty and curriculum. We do not have the advantages almost all other journalism schools have: a large and not very job market-sensitive undergraduate student body and low tuition.”
  • “I don’t think I have been nearly effective enough in persuading either our own Journalism School community, or other journalism schools, or the wider world of the profession, that the professional education of a journalist should include intellectual content.”

Sobre a (in)dependência dos media

Apreciei a leitura de “Um mundo irreal”, a coluna de hoje de Pedro Magalhães, no Público. No final, dei comigo a pensar no seguinte cenário, inspirado por uma experiência relatada no texto: a prosa de Pedro Magalhães era dada a ler a um grupo de pessoas que entendem que não há, actualmente, em Portugal,  nenhum condicionamento grave da liberdade e independência dos media; e era, ao mesmo tempo, dada a ler a um outro grupo integrado por pessoas que consideram que estamos quase como (ou mesmo pior do que) no tempo de Salazar. Provavelmente nenhum deles gostaria do que escreveu o autor.

Ética, jornalismo e cidadania

Pour une nouvelle éthique du journalisme professionnel” – entrevista com o jornalista Jérôme Bouvier, presidente da associação « Journalisme et Citoyenneté ». Uma oportunidade para conhecer também um pouco mais sobre vudesquartiers.journalisme.com, uma experiência na web, saída do encontro “Assises du Jornalisme”, realizada em França em Maio de 2007.

Dez pontos para reinventar o jornalismo

Howard Owens escreveu há dias o post Maybe it’s journalism itself that is the problem. Nele defende um imperativo: “Discovering a journalism that does what journalism should do — match the needs of society rather than dictate to society what people should want from journalism — will be real hard work, and it will challenge assumptions and afflict comfortable mind sets”. E prossegue, agora, com Ten things journalists can do to reinvent journalism. O resumo:

  • Stop writing for the front page.
  • Stop treating journalism like a competition.
  • Stop submitting your stories to reporting and writing competitions.
  • Listen more closely to your readers.
  • Put more people in your stories and fewer titles.
  • Don’t cover process. Cover real stories.
  • Be a subject-matter expert.
  • Forget the false-promise of objectivity.
  • Be accurate. Always.
  • Cover your community like it is your hometown.

ComUM de volta

Depois de uma breve pausa, o ComUM inicia hoje mais uma nova aventura.
Há algumas alterações visíveis, nomeadamente nas formas de participação disponíveis a quem lê.
Rui Passos Rocha escreve no editorial:

“Damos o taco a quem tem bom swing, incitando a comunidade académica a repelir o comodismo que se vai abstendo de aliar as crescentes horas de estudo incessante, trabalhos repisados, praxes desenfreadas e videojogos desintelectualizadores à mínima consciência do soprar dos ventos (ou melhor, da forma como são soprados e por quem)”.

Recorde-se que o ComUM é um projecto jornalístico criado (em 1994) e gerido exclusivamente por alunos do curso de Comunicação Social da Universidade do Minho.

Maomé na Wikipédia – polémica

No momento em que escrevo esta nota (20h08) são já 172.635 as assinaturas numa petição online que pede a remoção de conhecidas imagens históricas de Maomé do texto sobre o fundador do Islão na Wikipédia.

I request all brothers and sisters to sign this petitions so we can tell Wikipedia to respect the religion and remove the illustrations“, diz-se no texto da petição.

Os responsáveis da Wikipédia respondem, num espaço especialmente criado para esclarecer dúvidas sobre o assunto:

Wikipedia is an encyclopedia that strives to represent all topics from a neutral point of view, and therefore Wikipedia is not censored for the benefit of any particular group. So long as they are relevant to the article and do not violate any of Wikipedia’s existing policies, nor the law of the U.S. state of Florida, where most of Wikipedia’s servers are hosted, no content or images will be removed from Wikipedia because people find them objectionable or offensive“.

[Sugestão recolhida no Agoravox]

Curiosidades

Tornou-se prática comum do Google transfigurar a sua imagem por ocasião de datas especiais. O modo como o faz hoje, a propósito do dia de S. Valentim, é, no mínimo, ternurento. Uma nota para atenuar o peso dos dias…

Público volta a ter página de Media

A informação (que recolhi no Indústrias Culturais) aparece numa notícia da Meios & Publicidade e cita o director do jornal, José Manuel Fernandes, como tendo dito que o espaço vai ter um novo enquadramento e “não será só para jornalistas”.
O jornal vai fazer ainda outras mudanças – como data de início marcada para o dia 5 de Março (18º aniversário) – acabando o caderno digital (cuja área de interesse passará, ao que parece, a ser dividida entre um “Fugas” mais completo e o tal retomado espaço de ‘Media’)

(O reaparecimento do espaço ‘Media’) É um passo atrás…no bom sentido.

OberCom: privatização do consumo de cinema

“Um acentuado e generalizado reforço do processo de privatização do consumo de conteúdos cinematográficos na esfera doméstica, transversal à sociedade portuguesa”. Este é, em termos gerais, um dos principais resultados apurados num estudo agora divulgado pelo OberCOM e elaborado por Rita Cheta e Rita Espanha. O estudo, intitulado “Cinema em Ecrãs Privados, Múltiplos e Personalizados: Transformação nos Consumos Cinematográficos“, baseou-se nos dados do Inquérito Sociedade em Rede 2006, aponta para a “coexistência de várias gerações tecnológicas de consumidores de conteúdos cinematográficos, e apresenta uma realidade portuguesa de dupla face, onde, a par dos processos de mudança, coexistem os processos de resistência à mudança”. São definidos quatro perfis de consumidores:

  • Não consumidores – “cine-excluídos” – “é um perfil residual e em desaparecimento”.
  • 1ª geração tecnológica – “cine-convencionais”  – “é um perfil em erosão. Caracteriza-se pelo convencionalismo nos seus modos de consumo cinematográficos, de tipo massificado e em mono-plataforma (TV)”.
  • 2ª geração – ‘’os cine-integrados‘’ – “é o perfil maioritário. Caracteriza-se pela forte penetração do consumo de DVD na esfera doméstica e da regularidade intensiva do seu uso. Forte domiciliação dos consumos, contudo combinada com idas mais ou menos ocasionais às salas de cinema. É um perfil ainda herdeiro do consumo massificado e estandardizado de conteúdos culturais em geral, e cinematográficos em particular”.
  • 3ª geração tecnológica – “cine-inovadores” – “é um perfil minoritário mas em crescimento e afirmação. Caracteriza-se pela multiplicidade, personalização, interactividade e inovação nos seus modos de consumo de conteúdos cinematográficos. É neste perfil que as características de mobilidade dos equipamentos tecnológicos para visualizar conteúdos de cinema e multimedia se colocam com maior acuidade, através da expressão de desejo futuro na procura activa em adquirir equipamentos e plataformas móveis de alta definição para conteúdos multimedia”.

TV de Lisboa – mote para debate no Porto

Vítor Pimenta escreve no Avenida Central:

” (…) neste país feito à imagem da linha de Cascais e do Colégio da Barra, toda a sua diversidade e potencialidade parecem definhar. Neste sentido, e a não ser que a caixa mágica tenha a mesma liberdade de emancipação regional que têm os jornais e as rádios, o Norte – como outras regiões do País na masmorra do modelo administrativo actual – fica refém de ditadores da programação em Lisboa e sem este instrumento, altamente eficaz, para o seu desenvolvimento. (…) Enquanto não houver televisões locais em sinal aberto, a emitir para o romantismo de um televisor na sala, com o sofá preenchido de família e amigos, todo um imenso Portugal – que não Lisboa e arredores – estará em fraca sintonia com os seus cidadãos e as suas dinâmicas, e estes com as suas vidas e interesses limitados num ecrã nacional em constante formigueiro.”

olhares_banner_Eis um excelente mote para a próxima sessão de Olhares Cruzados sobre o Porto, a realizar quinta-feira, dia 13 14, às 21.30, na Universidade Católica – centro do Porto, centrada no tema A Comunicação Social no Porto – As novas tecnologias e a centralização ameaçam os media regionais?“. Sob a moderação de Manuel Carvalho, o pontapé de saída será dado pelo ministro Augusto Santos Silva, seguindo-se, antes do debate alargado, os comentários de Jorge Fiel e Rui Moreira. A iniciativa é do jornal Público em parceria com a Universidade Católica.