RTP sem publicidade, Menezes dixit

A proposta feita por Luís Filipe Menezes de acabar com a publicidade na RTP foi considerada “errática” e “avulsa” e deparou com a crítica de praticamente toda a gente que sobre o assunto se pronunciou.  Entendo que o assunto merece ser discutido e não é razoável blindar o debate em torno da RTP e do seu modelo de financiamento, com o argumento de que foi subscrito há uns anos um contrato que encerra o assunto até quase ao final da próxima década. Aí concordo com José Manuel Fernandes quando faz notar (cf editorial do Público de hoje) que o panorama do audiovisual se vai alterar substancialmente nos próximos anos, com a entrada em cena da televisão digital terrestre e de mais um operador generalista.

Mas, dito isto, é preciso sublinhar o seguinte:

1. Aquilo que é errático não é apenas a posição do actual líder dos sociais-democratas, é a posição do próprio PSD que, nos últimos dez anos, defendeu (intermitentemente) a privatização da RTP, a privatizaçção de um dos canais públicos; a alienação de um dos canais à sociedade civil; e, agora, a estatização do operador público, subjugado pelo orçamento do Estado.

2.  É grave e preocupante que um dossier delicado como é este da RTP seja utilizado como matéria do jogo político, com o risco de a solução agora preconizada para o serviço público poder vir a comportar um agravamento substancial das contribuição dos cidadãos. Uma tal proposta significa, por outro lado, o enveredar por um caminho de ruptura com uma solução considerada equilibrada e bem sucedida, empreendida por um governo do próprio PSD. Deste ponto de vista a proposta é um verdadeiro tiro no pé.

3. Finalmente é de mau agoiro que o líder do maior partido da oposição coloque um tema (e uma medida de política) desta magnitude na agenda pública sem aparentemente estar escorado em estudos rigorosos, que assegurem que o cenário de uma RTP financiada apenas pelo orçamento do Estado é mais vantajoso (não apenas do ponto de vista económico-financeiro) do que o modelo que temos actualmente.

3 thoughts on “RTP sem publicidade, Menezes dixit

  1. “coloque um tema (e uma medida de política) desta magnitude na agenda pública sem aparentemente estar escorado em estudos rigorosos, que assegurem que o cenário de uma RTP financiada apenas pelo orçamento do Estado é mais vantajoso”

    Foi impressionante ver Menezes ontem em entrevista no jornal da noite, fazer cálculos de cabeça sobre as receitas da Taxa do Audiovisual e justificar, como uma qualquer criança, que 2-2=0. Era bom que na vida fosse tudo tão simples e fácil de calcular, onde estão todas as outras variáveis de contextualização dos números desta medida, quem pensou nelas e de que modo o fez?

  2. Concordo com o Nelson.
    Aquilo que é abordado no terceiro ponto deste post foi, sem dúvida, o que mais me deixou perplexo neste caso.
    É mesmo procupante. Acredito que estes (maus) exemplos dados pelo líder da oposição vão levar muita gente a votar, de forma contrariada, resignada, no PS de Sócrates.

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