Espiral do silêncio

spiralNum colóquio que na semana finda aconteceu em Lisboa, o jornalista da Lusa José António Santos revelou dados que fazem pensar. Analisando a informação veiculada entre Maio e Dezembro do ano passado por aquela agência, concluiu que apenas 0,9% incidiu sobre assuntos e eventos do campo religioso, sendo este um dos assuntos menos abordado no conjunto de notícias difundido. A comparação não é muito relevante, mas a política representou, naquele período, 27% e a economia 17%.

Sabendo-se do significado e da expressão que o facto religioso continua a ter na sociedade portuguesa e no mundo, é revelador que a nossa principal agência represente a realidade de tal forma que o domínio em questão não tenha sequer um por cento de notícias.

O facto de a Lusa não noticiar mais os assuntos de religião influencia, certamente (ainda que não determine), o índice de tratamento dado pelo conjunto dos media. Uma das provas de que o assunto tem alguma relevância pode ver-se no facto de os nossos dois diários de referência terem colunistas especializados que, semanalmente, reflectem esta matéria.

No entanto, seria erróneo deslocar apenas para os media (e, no caso, para a agência Lusa) a responsabilidade por esta situação relativa a um sector relevante da realidade sócio-cultural. As instituições religiosas têm nesta matéria uma responsabilidade evidente. Quem quer ser notícia tem de se fazer (motivo de) notícia. E isso exige, nos tempos que correm, profisisonalismo e iniciativa.

Uma coisa é certa: recorrendo à teoria da “espiral do silêncio“, proposta por Elisabeth Noelle-Neumann, poder-se-ia concluir que quanto menos se trata a religião, menos relevante ela se torna (ou é percepcionada como tal). E quanto menos relevante, menos merece ser tratada.