Tabu, dizem eles

Sócrates disse, na entrevista à SIC, que não respondia à pergunta sobre se, sim ou não, tenciona candidatar-se a um novo mandato como primeiro-ministro. Disse que, a ano e meio das eleições, a prioridade era governar. Enfim: retórica? prudência? bom senso? Para o caso não interessa. O que é certo é que, uma vez mais, os media, quase em uníssono – a começar logo no debate que se seguiu na SIC-N – chamaram a isto um “tabu”.

Designar deste modo o que se passou não é apenas falta de imaginação, é uma incorrecção. Repetida quase ad nauseam, a cada passo, por tudo e por nada.

O conceito de tabu está associado à ideia de interdito, de proibição, de impedimento, ainda que já não revista carácter sagrado. Poder-se-ia aceitar que o termo fosse aplicado a um quadro em que o protagonista procurasse esquivar-se a responder a um enigma ou a anunciar uma decisão esperada. Ou que procurasse dramatizar esse quadro, criando em torno dele um suspense ou um interdito. Mas não é nada disso que aqui está em causa. Como não é na maior parte das vezes em que os media utilizam o conceito.

O abuso já foi criticado e desconstruído. Nada. Há uma espécie de cultura de grupo, de ‘framing’ partilhado, de atracção ‘fatal’ que empurra quase todos para a incorrecção.

Em breve os dicionários registarão: Tabu – acto ou efeito de uma não resposta.