Parabéns, Expresso

O semanário português Expresso foi considerado um dos quatro mais bem desenhados jornais do mundo pela reputada Society for News Design.
Sobre o jornal do grupo Impresa o júri disse o seguinte:

Expresso is gentle and graceful. Cleanly designed pages are anchored by unusual graphics and powerful images that put an ingenuous and playful stamp on storytelling. Portugal’s National Environmental Month was illustrated by a winding green vine rising bottom to top on the front page and continuing throughout the issue — a remarkable twist.
Gentleness and intimacy are evident in photography, frequently large, up-close and beautifully reproduced. Expresso tells readers it’s in the loop and wants to take them along for the ride. Audacious spreads are playful. An ad with a donkey bled from one page to the adjoining one, with the unsuspecting donkey suddenly finding itself the target of a rifleman in an editorial photo. It’s a visual pun we’d like to think was intentional. It’s also a nod to confident, irreverent designers.

Video feito no ano passado pelo próprio Expresso sobre o seu design:

Parabéns, Expresso.

[Informação recolhida no ContraFactos]

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“O caso de ontem e a justificação de hoje”

Vivemos neste momento, em Portugal, encerrados num debate sobre o caso de ontem e a justificação de hoje. Jornalistas, primeiro-ministro e oposição, antes e depois daquela entrevista [à SIC e ao Expresso], vivem empenhados num exercício de justificação que é no essencial sobre o agora e o pouco antes. O problema é que isso deixa de ser política. José Sócrates falou, eficazmente até, mas apenas de administração: porque fecha aqui e não ali. Perdeu-se o longo prazo. Perdeu-se até o médio prazo, numa compressão temporal que torna tudo estático. (…) o que se pede não é um discurso grandiloquente sobre “o sonho”, “a visão” e “a esperança”, à la Barack Obama. É muito mais simples, e mais difícil, do que isso: o que gostariam de ver acontecer no Portugal dos próximos quatro ou cinco anos? Qual é o debate que consideram central? Não vale responder: “a justiça”, “a saúde”. Isso é um tema, não é um debate. Um debate será, no mínimo, um tema e um argumento, e um objectivo que esse argumento justifica.

Rui Tavares, Falta futuro, in Público, 20.2.2008 

Tabu, dizem eles

Sócrates disse, na entrevista à SIC, que não respondia à pergunta sobre se, sim ou não, tenciona candidatar-se a um novo mandato como primeiro-ministro. Disse que, a ano e meio das eleições, a prioridade era governar. Enfim: retórica? prudência? bom senso? Para o caso não interessa. O que é certo é que, uma vez mais, os media, quase em uníssono – a começar logo no debate que se seguiu na SIC-N – chamaram a isto um “tabu”.

Designar deste modo o que se passou não é apenas falta de imaginação, é uma incorrecção. Repetida quase ad nauseam, a cada passo, por tudo e por nada.

O conceito de tabu está associado à ideia de interdito, de proibição, de impedimento, ainda que já não revista carácter sagrado. Poder-se-ia aceitar que o termo fosse aplicado a um quadro em que o protagonista procurasse esquivar-se a responder a um enigma ou a anunciar uma decisão esperada. Ou que procurasse dramatizar esse quadro, criando em torno dele um suspense ou um interdito. Mas não é nada disso que aqui está em causa. Como não é na maior parte das vezes em que os media utilizam o conceito.

O abuso já foi criticado e desconstruído. Nada. Há uma espécie de cultura de grupo, de ‘framing’ partilhado, de atracção ‘fatal’ que empurra quase todos para a incorrecção.

Em breve os dicionários registarão: Tabu – acto ou efeito de uma não resposta.