Jornalismo no Reino Unido: menos independência

qualidade do jornalsmoOs jornalistas actuais do Reino Unido produzem bastante mais do que há 20 anos, baseando-se, em grande medida, nos “mantimentos” que lhe são fornecidos pelas notícias de agência e pelos comunicados de imprensa de fontes organizadas.

A conclusão consta de uma pesquisa acabada de publicar pelo Departamento de Jornalismo, Media e Estudos Culturais da Universidade de Cardiff. Intitulado “The Quality and Independence of British Journalism“, o relatório foi elaborado por um conjunto de professores, entre os quais Bob Franklin, um prestigiado autor de obras sobre a imprensa e o jornalismo.
O trabalho sugere que se trabalha mais, se verifica menos a informação trabalhada e que se sai menos das redacções. Isto significa que se trata mais de um jornalismo de reciclagem de matérias produzidas noutras instâncias e, por conseguinte, que a independência do jornalismo publicado é mais problemática.

Analisando os textos de matérias relativas ao país, os investigadores concluíram que todos os jornais analisados indiciavam um peso maioritário de materiais de agências noticiosas ou de fontes: The Times, 69%; The Daily Telegraph, 68%; Daily Mail, 66%; The Independent, 65% e The Guardian, 52%.

No âmbito deste estudo foram cruzados elementos de natureza diversa, como, por exemplo, o número de jornalistas ao serviço em cada diário e o volume de trabalho produzido. Foram igualmente entrevistados profissionais de vários dos jornais analisados, dos quais se transcrevem no estudo significativas partes de depoimentos.

Algumas das conclusões mais salientes:

  • ” (…) most journalists are now required to do more with less time, a trend that inevitably increases their dependence on ‘ready made’ news and limits opportunities for independent journalism. While the number of journalists in the national press has remained fairly static, they now produce three times as much copy as they did twenty years ago”.
  • “(…) the content of domestic news stories in our quality media is heavily dependent on ‘pre-packaged news’ – whether from PR [Public Relations] material or from wire services”.
  • ” The main source of PR is the corporate/business world, which is more than three times
    more successful than NGOs, charities and civic groups at getting material into the
    news”.
  • ” (…) most of whom felt that the pressure to produce a high number of stories daily has intensified, and that this increased their reliance on recycling material rather than reporting independently. Their accounts, in the context of the other data presented here, are highly credible. They also suggest that if the onset of convergence (required to produce multi-media versions of their stories) is not accompanied by a decrease in workload (and the signs, thus far, are not encouraging), then this situation will only deteriorate”.