Novos números de revistas

PF não esquecer o jornalista (e o jornalismo)!

So in an effort for newspapers to raise revenues, maintain circulation and provide readers with more information in more ways, another crisis might be upon us. Perhaps lost in this evolutionary period of newspaper journalism is the news worker. When he or she is no longer able, or no longer willing, to provide quality journalism, the journalism of crisis won’t be found on Wall Street or in the circulation data. It’ll be found in the newsroom.

Excerto de um trabalho académico, realizado por Scott Reinardy, com base nas respostas de 770 jornalistas norte-americanos. O trabalho – um estudo quantitativo – conclui que os jornalistas estão hoje mais perto de uma situação de ruptura (“burnout“) do que em 2006 e que quase 75 por cento dos jovens profissionais (menos de 34 anos de idade) expressaram a intenção de abandonar o jornalismo ou responderam ‘não sei’.
Sugestão recolhida no The Editorialiste.

PS: A propósito da necessidade de valorização do jornalista e do investimento no trabalho jornalístico valerá também a pena ler o e-mail que James O’Shea enviou à redacção do Los Angeles Times, depois de ter sido despedido da direcção daquele jornal. O’Shea saiu porque não aceitou fazer os novos cortes orçamentais que lhe pediu o administrador.
Excertos:

I think the current system relies too heavily on voodoo economics and not enough on the creativity and resourcefulness of journalists. We journalists have our faults, but we also have a lot to offer. Too often we’ve been dismissed as budgetary adolescents who can’t be trusted to conserve our resources. That is wrong.
(…)
The biggest challenge we face — journalists and dedicated newspaper folks alike – is to overcome this pervasive culture of defeat, the psychology of surrender that accepts decline as inevitable. This mindset plagues our business and threatens our newspapers and livelihoods.
(…)
This company, indeed, this industry, must invest more in solid, relevant journalism. We must integrate the speed and agility of the Internet with the news judgment and editorial values of the newsroom, values that are more important than ever as the hunger for news continues to surge and gossip pollutes the information atmosphere. Even in hard times, wise investment — not retraction — is the long-term answer to the industry’s troubles. We must build on our core strength, which is good, accurate reporting, the backbone of solid journalism, the public service that helps people make the right decisions about their increasingly complex lives. We must tell people what they want to know and — even more important — what they might not want to know, about war, politics, economics, schools, corruption and the thoughts and deeds of those who lead us.

Noutro ‘País’

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No site de El País surge hoje, com chamada na página principal, a peça “Para saber los nominados, mejor la estadística que el talento“. Refere: “Una investigación concluye que las probabilidades de ser nominado no dependen tanto del talento como del género de la película”. Além do interesse jornalístico do assunto, o interesse doméstico decorrente do facto de o autor ser um estagiário do mestrado de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, de seu nome Victor Ferreira.

Guia sobre Media dos cidadãos

A Rising Voices, iniciativa da Global Voices, tornou publico, no final da passada semana, o primeiro de uma série de guias com o objectivo de explicar o fundamental da produção de conteúdos mediáticos a pessoas sem conhecimentos técnicos das áreas envolvidas.
Como explica a Daniela Bertocchi (foi no Intermezzo que recolhi a informação) a diferença substancial entre este documento e alguns outros anteriores será o facto de se percebr aqui uma tentativa de fugir a um olhar anglo-cêntrico, reflectindo experiências de outras culturas, outras línguas, outros enquadramentos sócio-políticos.
Há versões em em inglês, espanhol e bengali [.pdf, 500Kb].

O desafio da comunicação

“O desafio da comunicação não reside tanto em partilhar algo com aqueles de quem me encontro próximo como conseguir conviver com aqueles, muito mais numerosos, com quem não partilho nem os valores nem os interesses. Não basta que as mensagens e as informações circulem rapidamente para que os seres humanos se compreendam melhor. Transmissão e interacção não são sinónimos de comunicação”.

Dominique Wolton

Porquê?

Por que razão um jornal, para denunciar um comportamento aparentemente inaceitável, porque humilhante para uma criança, adopta um comportamento aparentemente também execrável?

Pode ser que ao docente envolvido aconteça alguma coisa. Ao jornal …

MIL quer implantar-se nas redacções

O MIL (Movimento Informação é Liberdade) reuniu quarta-feira em Lisboa, tendo decidido “iniciar um processo de designação de representantes do MIL em todas as redacções do país”.

Na reunião foi igualmente acordado “apelar a todos os jornalistas que inviabilizem a constituição da nova Comissão da Carteira Profissional, à qual o novo Estatuto dos Jornalistas atribuiu reforçados poderes de policiamento deontológico, quer recusando integrar esta estrutura quer recusando contribuir para a sua eleição”.

O MIL vai também “preparar um documento sobre as condições do exercício do jornalismo em Portugal, nomeadamente nos aspectos do acesso à profissão, acesso à informação, regulação deontológica e Direito da comunicação social”.

Entretanto, o JN adianta hoje que “a ERC quer desmistificar a ideia de que em Portugal a comunicação social nunca se entenderá quanto à auto-regulação”, segundo explicou àquele diário Azeredo Lopes, presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), a propósito da reunião que anteontem teve com os directores dos principais títulos da Imprensa portuguesa.

Segundo Azeredo, “a ERC acedeu ao apelo da Associação Portuguesa de Imprensa no sentido de mediar o processo de criação de uma estrutura de auto-regulação, auscultando os directores de jornais e revistas, numa primeira reunião em que todos reagiram de forma positiva”.

Imprensa atrai menos portugueses

A Marktest divulgou os resultados mais recentes do Bareme Imprensa e percebe-se que a audiência média está em decréscimo (mitigado, ainda assim, por certo, pelo crescimento no sector dos gratuitos) e que a quebra é mais visível nos jornais do que nas revistas.

PS: Aparentemente, dos mesmos dados pode fazer-se uma leitura quase inversa. Mas manter-se-á ainda válido o que aqui o que Manuel Pinto escreveu no final do ano passado a propósito da confusão instalada sobre esta matéria.

Finalmente o blogue

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Joaquim Vieira já está online, nas suas novas novas funções de provedor dos leitores do Público. E já tem no novo blogue matéria que merece visita (não esquecer também a secção das crónicas). O que não tem é um feed de RSS.

Eis o âmbito deste novo espaço:

“Não havendo na edição em papel espaço para publicar na íntegra todas as mensagens trocadas sobre cada um dos casos analisados pelo Provedor, elas serão também aqui arquivadas. O blogue servirá, por outro lado, para o PROVEDOR se pronunciar sobre casos novos (não abordados na edição em papel), suscitados por iniciativa própria ou dos leitores. Mas este espaço tem ainda como função primordial recolher e divulgar comentários dos cidadãos, procurando estimular o debate e a discussão em torno da qualidade do jornalismo praticado pelo PÚBLICO. Em suma, trata-se de um interface PÚBLICO/público”.

Estudos

1.
O Media Managment Center da Northwestern University, nos Estados Unidos, acaba de divulgar um estudo sobre os adolescentes e as suas experiências com notícias online: An exploration of online news experiences of teenagers.
O estudo conclui que, na maioria dos casos, os jovens inquiridos não procuram notícias quando estão online, apesar de as lerem sempre que as consideram interessantes e elas lhes aparecem no ecrã (por exemplo, num portal).

2.
A Fundação Telefónica acaba de publicar a mais recente edição do anuário Tendencias 07 – Medios de comunicación. El escenario iberoamericano [.pdf, 10,2 Mb].
(Sugestão recolhida no e-periodistas)

AR = 460 minutos de TV

“Em democracia, meia hora na televisão é tão importante como 15 deputados no Parlamento”.

Luís Filipe Meneses, a propósito dos comentadores políticos na TV, in Correio da Manhã, 16.1.2008

News do not determine what is news – o quê?

Gnooze (não se lê o G…diz-se, portanto ‘nuze’, som idêntico ao de ‘news’) é um projecto com base num conceito de sucesso provado (Daily Show, por exemplo) – apresentador carismático (neste caso, apresentadora), tom absolutamente coloquial e um toque de comédia.
O formato é o de um videoblog, com excertos curtos e uma aparente (só aparente) realização descuidada.
Antecipa-se grande sucesso.

Exemplo: uma leitura ‘como faria o homem na rua’ do frenesim mediático em torno de umas declarações recentes de Hillary Clinton sobre Martin Luther King Jr.

Sugestão encontrada no Journalism Enterprise.

Até onde deve ir a regulação

Ezra Levant, o advogado e publisher canadiano que há dois anos atrás foi responsável pela re-publicação dos famosos cartoons dinamarqueses na revista Western Standard, foi alvo de uma queixa de um grupo de islamistas (a ideia genérica é a mesma de outros tempos, a da ofensa) e vê-se perante a condenação a penas pecuniárias ou de prisão.
A queixa está a ser analisada por uma Comissão de Direitos Humanos – que tem poder para o fazer e para, em nome do Estado, condenar ou não o acusado.

(Todos os video da audição de defesa aqui)

Facilmente se encontram neste caso traços de um Estado amorfo, tecnocrata, desenquadrado do bom senso e da herança cultural do seu povo. Em oposição, encontramos também um testemunho apaixonado (ou politicamente inflamado, se preferirmos) em defesa da liberdade de expressão; Levant, um activo neo-con, escolheu uma estratégia de afrontamento:

The point of civil disobedience is not to get off scot-free, but to willingly accept the punishments of an unjust system, to shame that system into reform.

Independentemente da sensatez do Sr. Levant ou da sensatez do Estado, este caso levanta questões importantes sobre a regulação.
Até onde pode e/ou deve o Estado ir em nome do ‘bem comum’?
Porque é que o aceitável pelo Estado aparenta ser cada vez mais alheio ao aceitável pela comunidade?
A quem interessa (mais, quem se sentirá identificado com) um ‘bem comum’ desinfectado de qualquer réstea de emoção humana, de qualquer referência histórica, de qualquer marca cultural?

Trás-os-Montes, lugar onde a Imprensa mexe

São escassas as notícias que circulam sobre os media locais e regionais e a ideia que se tem – errada em muitos casos –  é a de um sector que “lá vai sobrevivendo”. Seria necessário – através do estudo académico ou da reportagem, dar conta das iniciativas que contrariam esta ideia feita. Até porque este jornalismo mais próximo dos cidadãos e das comunidades locais tem e provavelmente terá ainda mais, no futuro, um lugar especial a ocupar. E não apenas relativamente aos destinatários, mas também como nós de articulação com as lógicas de outros media nacionais (e até, quem sabe, internacionais, quando se coloca a relação com os media das diferentes regiões fronteiriças espanholas ou com os das comunidades portuguesas emigrantes).

Na última semana, dois sinais nesta linha chegam de Trás-os-Montes. No domingo, o JN dava conta de que o Jornal ‘Mensageiro’ [de Bragança], “vai deixar de ter um âmbito local e passar a regional, com a abertura de uma sede no distrito vizinho, em Vila Real”. Propriedade de uma fundação ligada à diocese, aquele que é “o mais antigo jornal daquele distrito”, mudará o nome, para deixar de ser apenas mensageiro de Bragança e passará a ter duas edições em simultâneo.

Agora – e não sabemos se relacionado ou não com este reposicionamento do Mensageiro – uma outra notícia divulgada pela Lusa, que a newsletter da Meios & Publicidade retoma:

“O intercâmbio de conteúdos noticiosos e a rentabilização dos recursos humanos é o objectivo da Rede Transmontana de Notícias (RTN), formalizada ontem em Vila Real. A rede inclui os jornais Nordeste (Bragança), Semanário Transmontado (Chaves), Terra Quente (Mirandela), e Lamego Hoje (Lamego), que no seu conjunto integram 18 jornalistas e representam uma tiragem de 20 mil exemplares”.

A este propósito: é impressão minha ou a iniciativa do Expresso de articulação com um conjunto de jornais locais de vários pontos do país tem vindo a definhar? Vendo a edição semanal, pelo menos, parece às vezes que aquele espaço, que já foi uma página inteira e viva, esse sim, “lá vai sobrevivendo”.

Congénere da SOPCOM em Espanha

Realiza-se de 30 deste mês a 1 de Fevereiro, em Santiago de Compostela, o congresso fundador da Associação Espanhola de Investigação da Comunicação, na sequência da decisão de criar esta estrutura, tomada em Sevilha, em Novembro de 2006.
O congresso, que terá por palco a Faculdade de Ciências da Comunicação da Universidade de Santiago – o edifício concebido por Siza Vieira – articula-se em quatro grandes eixos: democracia e cidadania, políticas de comunicação e cultura, a sociedade da informação, e criatividade e produção de conteúdos.
A nova associação, congénere da portuguesa SOPCOM, arranca com cinco secções:teorias e métodos da investigação em comunicação, estudos de recepção, estrutura dos meios, estuios sobre o discurso, e tecnologias da comunicação e informação.