Trás-os-Montes, lugar onde a Imprensa mexe

São escassas as notícias que circulam sobre os media locais e regionais e a ideia que se tem – errada em muitos casos –  é a de um sector que “lá vai sobrevivendo”. Seria necessário – através do estudo académico ou da reportagem, dar conta das iniciativas que contrariam esta ideia feita. Até porque este jornalismo mais próximo dos cidadãos e das comunidades locais tem e provavelmente terá ainda mais, no futuro, um lugar especial a ocupar. E não apenas relativamente aos destinatários, mas também como nós de articulação com as lógicas de outros media nacionais (e até, quem sabe, internacionais, quando se coloca a relação com os media das diferentes regiões fronteiriças espanholas ou com os das comunidades portuguesas emigrantes).

Na última semana, dois sinais nesta linha chegam de Trás-os-Montes. No domingo, o JN dava conta de que o Jornal ‘Mensageiro’ [de Bragança], “vai deixar de ter um âmbito local e passar a regional, com a abertura de uma sede no distrito vizinho, em Vila Real”. Propriedade de uma fundação ligada à diocese, aquele que é “o mais antigo jornal daquele distrito”, mudará o nome, para deixar de ser apenas mensageiro de Bragança e passará a ter duas edições em simultâneo.

Agora – e não sabemos se relacionado ou não com este reposicionamento do Mensageiro – uma outra notícia divulgada pela Lusa, que a newsletter da Meios & Publicidade retoma:

“O intercâmbio de conteúdos noticiosos e a rentabilização dos recursos humanos é o objectivo da Rede Transmontana de Notícias (RTN), formalizada ontem em Vila Real. A rede inclui os jornais Nordeste (Bragança), Semanário Transmontado (Chaves), Terra Quente (Mirandela), e Lamego Hoje (Lamego), que no seu conjunto integram 18 jornalistas e representam uma tiragem de 20 mil exemplares”.

A este propósito: é impressão minha ou a iniciativa do Expresso de articulação com um conjunto de jornais locais de vários pontos do país tem vindo a definhar? Vendo a edição semanal, pelo menos, parece às vezes que aquele espaço, que já foi uma página inteira e viva, esse sim, “lá vai sobrevivendo”.

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