News do not determine what is news – o quê?

Gnooze (não se lê o G…diz-se, portanto ‘nuze’, som idêntico ao de ‘news’) é um projecto com base num conceito de sucesso provado (Daily Show, por exemplo) – apresentador carismático (neste caso, apresentadora), tom absolutamente coloquial e um toque de comédia.
O formato é o de um videoblog, com excertos curtos e uma aparente (só aparente) realização descuidada.
Antecipa-se grande sucesso.

Exemplo: uma leitura ‘como faria o homem na rua’ do frenesim mediático em torno de umas declarações recentes de Hillary Clinton sobre Martin Luther King Jr.

Sugestão encontrada no Journalism Enterprise.

Até onde deve ir a regulação

Ezra Levant, o advogado e publisher canadiano que há dois anos atrás foi responsável pela re-publicação dos famosos cartoons dinamarqueses na revista Western Standard, foi alvo de uma queixa de um grupo de islamistas (a ideia genérica é a mesma de outros tempos, a da ofensa) e vê-se perante a condenação a penas pecuniárias ou de prisão.
A queixa está a ser analisada por uma Comissão de Direitos Humanos – que tem poder para o fazer e para, em nome do Estado, condenar ou não o acusado.

(Todos os video da audição de defesa aqui)

Facilmente se encontram neste caso traços de um Estado amorfo, tecnocrata, desenquadrado do bom senso e da herança cultural do seu povo. Em oposição, encontramos também um testemunho apaixonado (ou politicamente inflamado, se preferirmos) em defesa da liberdade de expressão; Levant, um activo neo-con, escolheu uma estratégia de afrontamento:

The point of civil disobedience is not to get off scot-free, but to willingly accept the punishments of an unjust system, to shame that system into reform.

Independentemente da sensatez do Sr. Levant ou da sensatez do Estado, este caso levanta questões importantes sobre a regulação.
Até onde pode e/ou deve o Estado ir em nome do ‘bem comum’?
Porque é que o aceitável pelo Estado aparenta ser cada vez mais alheio ao aceitável pela comunidade?
A quem interessa (mais, quem se sentirá identificado com) um ‘bem comum’ desinfectado de qualquer réstea de emoção humana, de qualquer referência histórica, de qualquer marca cultural?

Trás-os-Montes, lugar onde a Imprensa mexe

São escassas as notícias que circulam sobre os media locais e regionais e a ideia que se tem – errada em muitos casos -  é a de um sector que “lá vai sobrevivendo”. Seria necessário – através do estudo académico ou da reportagem, dar conta das iniciativas que contrariam esta ideia feita. Até porque este jornalismo mais próximo dos cidadãos e das comunidades locais tem e provavelmente terá ainda mais, no futuro, um lugar especial a ocupar. E não apenas relativamente aos destinatários, mas também como nós de articulação com as lógicas de outros media nacionais (e até, quem sabe, internacionais, quando se coloca a relação com os media das diferentes regiões fronteiriças espanholas ou com os das comunidades portuguesas emigrantes).

Na última semana, dois sinais nesta linha chegam de Trás-os-Montes. No domingo, o JN dava conta de que o Jornal ‘Mensageiro’ [de Bragança], “vai deixar de ter um âmbito local e passar a regional, com a abertura de uma sede no distrito vizinho, em Vila Real”. Propriedade de uma fundação ligada à diocese, aquele que é “o mais antigo jornal daquele distrito”, mudará o nome, para deixar de ser apenas mensageiro de Bragança e passará a ter duas edições em simultâneo.

Agora – e não sabemos se relacionado ou não com este reposicionamento do Mensageiro – uma outra notícia divulgada pela Lusa, que a newsletter da Meios & Publicidade retoma:

“O intercâmbio de conteúdos noticiosos e a rentabilização dos recursos humanos é o objectivo da Rede Transmontana de Notícias (RTN), formalizada ontem em Vila Real. A rede inclui os jornais Nordeste (Bragança), Semanário Transmontado (Chaves), Terra Quente (Mirandela), e Lamego Hoje (Lamego), que no seu conjunto integram 18 jornalistas e representam uma tiragem de 20 mil exemplares”.

A este propósito: é impressão minha ou a iniciativa do Expresso de articulação com um conjunto de jornais locais de vários pontos do país tem vindo a definhar? Vendo a edição semanal, pelo menos, parece às vezes que aquele espaço, que já foi uma página inteira e viva, esse sim, “lá vai sobrevivendo”.