O poder das fontes

“Às vezes sou levado a pensar que a liberdade de imprensa e, em geral, a liberdade de expressão são uma espécie de “fast food” do regime democrático, engordam mas pouco alimentam, tantas notícias chocantes saem todos os dias nos jornais e não têm consequência alguma. Indignam durante um dia e são rapidamente substituídas por outras no dia seguinte; e estas por outras, e por outras, como Sísifo carregando a mesma inútil pedra. O famoso quarto poder é, como o chamou Mário Mesquita, um quarto equívoco. O poder do jornalismo é a face visível do poder das fontes, isto é, do poder político e do poder económico (mais o dos dispersos poderes fácticos que se desenvolvem nos seus interstícios). Por isso, há zonas do funcionamento do regime democrático onde o jornalismo não mete o nariz a não ser que sejam palco de conflitos de interesses onde possa ser usado como arma de arremesso (…)”.

Manuel António Pina, “O inútil quarto poder“, in Jornal de Notícias, 11.1.2208

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4 thoughts on “O poder das fontes

  1. A tão interessante observação apenas gostaria de acrescentar duas ou três coisinhas.
    1) ainda estagiários os possíveis futuros jornalistas são logo “pescados” pelas fontes profissionais, numa tentativa de os controlar; 2) há jornalistas que por preguiça querem a papinha toda feita facilitando assim a vida; e 3) os péssimos salários são uma fonte de dependência.

  2. concordo em absoluto. às vezes é constrangedor e aflitivo ver a “cara de pau” com que certos jornalistas insistem em colocar uma determinada questão de uma forma tão específica e insistente que se torna óbvia a tendência que se quer dar ao assunto.
    os media no nosso país estão mais do que viciados, estão subjugados.
    por isso me recuso a comprar jornais e revistas… basta a taxa de radiotelevisão e a assinatura da internet, que já me dão acesso às notícias, quando merecedoras de atenção.

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