O papel de Pacheco Pereira

Em “Documentos para uma década triste” (“que até podia ser pior”), José Pacheco Pereira (JPP) carreia uma boa dose de elementos para caracterizar o “espírito do tempo” de uma época, aquela de que temos sido testemunhas (e, em graus diversos, actores), nos últimos dez anos. Vem no “Público” de hoje, com acesso apenas a quem paga.

Chama, de novo (sem que aparentemente, ninguém lhe ligue), a atenção para a necessidade de preservar a diversidade de formas de enunciação que se exprimem na Internet (no YouTube, na blogosfera…), sem as quais será um dia dífícil, se não impossível, recuperar e dar vida à memória de um tempo que encontrou outros canais e outras plataformas para se dizer, e que as burocracias vigentes, movidas pela inércia, não valorizaram.

Mas é, sobretudo, na captação dos sinais que fazem o tal “zeitgeist” que JPP se distingue e assume um papel relevante. Com alguma regularidade, proporciona-nos análises em que secundariza aquelas marcas conjunturais e estreitas de outras prosas, para entrar como antropólogo que procura indagar para lá do visível e ligar aquilo que aparece fragmentado. Vozes e registos como este fariam falta se não existissem. Fazem, de resto, cada vez mais falta.

Act.: Colocado o link para o texto em referência, disponibilizado no Abrupto.

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