O papel de Pacheco Pereira

Em “Documentos para uma década triste” (“que até podia ser pior”), José Pacheco Pereira (JPP) carreia uma boa dose de elementos para caracterizar o “espírito do tempo” de uma época, aquela de que temos sido testemunhas (e, em graus diversos, actores), nos últimos dez anos. Vem no “Público” de hoje, com acesso apenas a quem paga.

Chama, de novo (sem que aparentemente, ninguém lhe ligue), a atenção para a necessidade de preservar a diversidade de formas de enunciação que se exprimem na Internet (no YouTube, na blogosfera…), sem as quais será um dia dífícil, se não impossível, recuperar e dar vida à memória de um tempo que encontrou outros canais e outras plataformas para se dizer, e que as burocracias vigentes, movidas pela inércia, não valorizaram.

Mas é, sobretudo, na captação dos sinais que fazem o tal “zeitgeist” que JPP se distingue e assume um papel relevante. Com alguma regularidade, proporciona-nos análises em que secundariza aquelas marcas conjunturais e estreitas de outras prosas, para entrar como antropólogo que procura indagar para lá do visível e ligar aquilo que aparece fragmentado. Vozes e registos como este fariam falta se não existissem. Fazem, de resto, cada vez mais falta.

Act.: Colocado o link para o texto em referência, disponibilizado no Abrupto.

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Crise no jornal Le Monde

lemondeO director editorial do diário francês Le Monde, Eric Fottorino, recuou na sua intenção, anunciada a 19 de Dezembro, de se demitir do cargo. Soube-se, entretanto, que o presidente e o vice-presidente do grupo no qual o jornal se integra, se demitiram. O mesmo aconteceu com os subdirectores que acompanhavam até agora Fottorino. Numa explicação que hoje assina no jornal, o director considera a crise “grave”.
O motivo imediato desta crise residiu na decisão do principal accionista do grupo – precismente a Sociedade dos Redactores de Le Monde – de aprovar o orçamento para 2008 de uma filial, Le Monde Interactif. Mas o problema de fundo reside na condução estratégica do grupo e no facto de este, actualmente, com cerca de 1600 empregados, ter um montante de dívidas da ordem dos 150 milhões de euros.
Explicando a sua posição, escreve Eric Fottorino:
Le Monde doit rester un journal de journalistes. Là est son socle de naissance, sa raison d’être et sa destinée. En demeurant à mon poste, j’entends préserver le dialogue nécessaire entre nos sociétés de personnels et nos actionnaires dits externes, si proches et si précieux, qui nous accompagnent avec constance et dévouement dans notre aventure, unique en ce pays.