“Sol na eira e chuva no nabal”…

… é difícil ter as duas coisas ao mesmo tempo, já sabemos. Mas, enquanto jornalistas, podemos pensar que muito tempo seguido de sol na eira significa que o nabal pode ir à vida. É, afinal, do mais elementar bom senso. Mas nem sempre seguido.

Vem esta conversa a propósito de algum jornalismo dos último dias, sobretudo radiofónico, que manifesta grande contentamento com a perspectiva do fim da chuva e do regresso ao “bom tempo”. Mas o que significa “bom tempo”, quando há populações que, em Janeiro, têm a água aos níveis de Julho ou Agosto ou mesmo pior?

Nâo é apenas o interesse de uma minoria de agricultores ou de horticultores que está em causa, interesse que deve também, naturalmente, ser considerado. É o interesse geral. Porque se não chover a sério, vamos ter o mesmo jornalismo a deitar as mãos à cabeça, quando, nos meses mais secos, as reservas de água não existirem.

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3 thoughts on ““Sol na eira e chuva no nabal”…

  1. Nem mais. Penso sempre o mesmo quando ouço “bom tempo para o fim-de-semana”. Diga-se, também, e em abono da verdade, que isso acontece mais nas rádios de cariz musical. De qualquer forma, também já o ouvi na Antena 1 ou na TSF.

  2. Lembro-me, e postei-o algures (não o encontro), num Verão de incêndios, ouvir e ver um sorridente José Rodrigues dos Santos a anunciar “bom tempo para amanhã”. Eu tinha acabado de chegar do Alto Minho, onde ajudei a combater um pequeno incêndio de mato na estrada de Melgaço para Castro Laboreiro, e apeteceu-me dizer uma asneira. E se calhar disse.

  3. Acho é que jornalistas e rádios,televisões e porventura jornais que tais opinantes abrigam, deviam ir “plantar batatas” para se ilustrarem sobre a falta que fazem a chuva e o sol tempestivos. Mas isto vai um clima manhoso (melhor, nebuloso) para ambas as lavouras.Neste meio tempo de incertezas climatéricas, melhor será ler o Jacques Prévert: La pluie et le beau temps (poesia e ironia) ou então o Seringador e o Borda d’Água que costumam aparecer nos quiosques neste início de ano. Está lá tudo quanto a tempo,agricultura, fases da lua, festas e santos patronos de cada dia, a par dumas quadras de pé quebrado e anedotas…logo agora que Os Gatos Fedorentos se afogaram em champagne, segundo as más línguas.Que não nos falte, pois, a chuva e o sol,o frio e o calor, a trovoada e os raios e coriscos, o vento e a calmaria, a neve e o granizo. E sobretudo o sizo no tempo próprio, quer chova quer faça sol.

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