ERC clarifica…ou não…

A edição de ontem do Clube de Jornalistas – com a presença do presidente da ERC, Azeredo Lopes – mostrou-nos um responsável pelo órgão regulador absolutamente tranquilo na presença de dois jornalistas (mais um, Nicolau Santos, do que outro, Fernando Cascais) tão seguros da sua posição que nem sequer sentiram a necessidade de trazer a conversa preparada. Exemplos mal escolhidos, factos truncados, desconhecimento das competências da ERC e desconhecimento da realidade da regulação noutros países – de tudo foi possível ver um pouco.
A ERC pode ter tido, em 2007, momentos de excesso, mas nenhum dos dois jornalistas foi capaz de os apresentar de forma fundamentada.
A ERC pode ter aberto, em 2007, um precedente sério – com a deliberação sobre a queixa da CDU relativamente ao site da Câmara Municipal do Porto – mas nenhum foi capaz de passar além da boutade “parece que até quer regular a blogosfera!”.
Aliás, a este propósito, Azeredo Lopes conseguiu dizer mesmo que o acompanhamento dos blogs não está dentro das competências da ERC e nenhum dos dois jornalistas foi capaz de o confrontar com as implicações concretas da leitura que a entidade apresentou na dita deliberação (ver aqui).
É muito pouco para jornalistas tão respeitados e conceituados e é muito pouco para sinalizar a necessidade imperiosa de um acompanhamento sério da actividade do regulador.
Ontem ficou bem claro a todos os que viram o programa que – como indica Manuel Pinto no balanço de 2007 – “uma mera contestação reactiva, que não passa a um patamar de auto-organização e definição de regras entre parceiros, só pode redundar em inconsequência e em reforço da lógica hetero-regulatória”.

Ler a actualidade

Hoje é um dos dias em que as páginas de opinião do Público, partindo da actualidade, ajudam a ler – discutivelmente, por certo – movimentos profundos da sociedade:

  • A autodestruidora hegemonia americana, de Francis Fukuyama
  • A desforra de Deus, de Esther Mucznik
  • Um novo sentido de família, de Glória Rebelo.

Lomba propõe crónica “interactiva e dialogante”

“(…) Chegou, pois, a altura de eu, por deferência e interesse, solicitar a opinião e participação dos leitores para esta página. Escrever uma crónica não é um exercício complicado. Qualquer um pode fazê-lo. (…) Apelo à vossa prestimosa colaboração. Se vocês tivessem de escrever estes textos, escreveriam sobre o quê? O leitor costuma ser crítico, exasperado, insatisfeito. Um treinador de bancada. Um sinaleiro. (…) Os cronistas de imprensa tendem invariavelmente a escrever para os outros cronistas, quando não escrevem para eles próprios ou para a família. A minha ambição é conseguir fazer tudo isso e, em simultâneo, conceber uma crónica que seja interactiva e dialogante. Não é que eu tenha medo de vocês, leitores. Mas são vocês que mandam nos jornais, nos jornalistas e, por arrastamento, nos colunistas (…)”.

Pedro Lomba, Diário de Notícias, 3.1.2008