Leituras e audições

“Guia para a Web 2.0”

A Web 2.0 “não é um produto, não é uma tecnologia, e apesar de estar na crista da onda, também não é um novo avanço revolucionário. É antes um termo abrangente e apelativo para uma evolução em curso no modo como as pesoas usam a web”. É o que se considera na publicação “Publisher’s How-To Guide to Web 2.0“, que a IFRA, uma associação internacional voltada para a produção e o negócio de jornais, acaba de editar.

Web 2.0 Guide

Perfil dos utilizadores de sites jornalísticos

Entrevista com o ‘boss’ na National Newspaper Network, dos Estados Unidos da América, sobre um estudo recente do perfil dos visitantes dos sites de jornais. Uma das finalidades era avaliar quem são os utilizadores mais influentes. Um excerto (mais dados sobre o estudo: AQUI):

The great social value of newspapers traditionally was that they were read by the leaders of their communities, the folks with the deepest investments, whether business owners or homeowners or civic leaders. They cared, and their opinions mattered. That’s no less so in this internet era. Folks who visit newspaper web sites tend to rank higher on the influencer scale than web users who do not visit newspaper web sites. That is, their opinions are more listened to and valued by more people. That’s according to a new study from the National Newspaper Network, the national ad sales firm representing papers around the country. The study found that the most influential users were what it termed crossovers, people who read print editions of newspapers and also visit newspaper sites. Crossovers, for example, are more inclined to be early adopters of new technology, and therefore influence others in their technology decisions.

Blogues: “and the oscar goes to…”

O Melhor Blog Português de 2007 foi uma iniciativa que decorreu nos últimos meses e que ditou os vencedores globais seguintes:

Os classificados em primeiro lugar por categorias são estes:

Nada menos de cinco blogs da Universidade do Minho, directa ou indirectamente ligados aos media e à comunicação, ficaram colocados entre os escolhidos pelo júri . Assim, na categoria de Media, temos:

Na categoria de Educação, temos:

A falta de um ‘sobressalto moral’

“(…) Os jornais do Porto e alguns desportivos, cujo papel na denúncia deste tipo de ‘meios’ [ do ‘Apito Dourado’, da claque do FCP, da ‘noite’ portuense] é escassa para não dizer nula, mesmo quando agressões violentas a jornalistas os deveriam ter obrigado a um sobressalto moral, fazem assim um péssimo serviço à cidade e aos seus valores. Deveriam lembrar-se do rol das agressões a jornalistas que se estende desde o final dos anos 80 até aos dias de hoje e em que os jornalistas desportivos têm um lugar de honra, mas não só. Carlos Pinhão, Eugénio Queirós, João Freitas, Manuela Freitas, Marinho Neves, Paulo Martins, entre outros, a que se associa José Saraiva, militante do PS e director durante muitos anos do Jornal de Notícias, já falecido, conheceram o “meio” na prática. O mais espantoso é que muitos deles nunca apresentaram queixa, outros nunca souberam o resultado das suas queixas, e mesmo quando as agressões são públicas, não se passa nada. Nunca se passa nada e nunca ninguém quer ver. E quando se fala do que está à vista de toda a gente, é uma conspiração ‘lisboeta’, ‘benfiquista’, contra o Porto, o Norte e o FCP e os tambores do ressentimento regionalista rufam contra os ‘mouros’ (…)”.

José Pacheco Pereira in Público, 15 de Dezembro de 2007

Bolsas nos EUA para jornalistas

A FLAD – Fundação Luso-Americana e a Fundação Gulbenkian anunciam a abertura de candidaturas para a “Nieman Journalism Fellowship”, da Universidade de Harvard, A FLAD informa ainda sobre bolsas para jornalistas nos EUA, no quadro do “Programa José Rodrigues Miguéis” e do “Programa Alfredo Mesquita”.

A bolsa da Nieman Foundation destina-se proporcionar a oportunidade para passar um ano académico (2008-2009) na Universidade de Harvard e podem concorrer jornalistas portugueses a tempo inteiro ou freelancers com pelo menos cinco anos de experiência. [de acordo com o site indicado na publicidade inserida na imprensa, o prazo termina hoje mesmo de acordo com um novo anúncio inserido hoje, 19 de Dezembro, no Público, o prazo vai até 10 de Janeiro]

Quanto ao “Programa José Rodrigues Miguéis”, o prazo termina a 15 de Janeiro. Trata-se de uma bolsa de curta duração (entre 25 de Maio e 21 de Junho de 2008, duas semanas em Washington e outras tantas no (“Committee of Concerned Journalists”). Pode concorrer jornalistas com idades entre os 30 e os 38 anos, com um mínimo de cinco anos de carreira profissional. São critérios de preferência ter um contrato a um órgão de comunicação social e ser possuidor de um curso de licenciatura). Os candidatos terão de se submeter a prova oral e escrita de lingua inglesa, no processo de selecção.

O Programa Alfredo Mesquita tem características idênticas ao anterior, mas dirige-se expressamente a jornalistas açorianos.

“Do lado das fontes”

Correio da Manhã – O que pensa do jornalismo hoje?

Luís Marques – O jornalismo está a viver uma fase difícil, mas não está tão mal como alguns afirmam. O problema é que o sector mudou muito nos últimos anos, principalmente do lado das fontes, e o jornalismo não soube responder e acompanhar essas mudanças. A mim faz-me confusão, por exemplo, que se considere normal o intenso trânsito entre as redacções e as assessorias de imprensa, especialmente as governamentais. Devia haver um código de ética relativamente a estas situações, medida que já propus na RTP.

Entrevista do Correio da Manhã a Luís Marques [administrador cessante da RTP]

“Fractura digital”

Carlos Zorrinho chama a atenção, no Público, para o problema do fosso que “separa uma minoria que já vive no mundo do pós-conhecimento (economia global baseada no valor do capital intelectual) e a maioria que ficou amarrada ao mundo do pré-conhecimento (economia local baseada na subsistência).”
Perfil utilizadores internet 07
Posse computador e internet
Partilho da ideia do coordenador nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico, segundo o qual “a promoção da inclusão das pessoas na sociedade do conhecimento, a formação generalizada na utilização das tecnologias e o acesso aos computadores não é uma questão meramente tecnológica”, porquanto essa promoção da inclusão “constitui um importante motor de combate às desigualdades e de promoção da igualdade de oportunidades”.
Não estou, no entanto, tão satisfeito como Zorrinho com a forma como, em Portugal, se tem trabalhado para combater esse fosso, que é sócio-económico, mas é também educativo e cultural.
Salienta aquele responsável que “a conjugação da aposta nas qualificações com o desenvolvimento da banda larga e com a promoção do acesso a computadores em rede de professores, estudantes e adultos em requalificação demonstra a aposta clara no combate à fractura digital como o caminho mais eficaz para mudar o perfil competitivo da economia e reforçar a coesão social”. E entende que aí reside “a base de um projecto de sociedade progressista [que] é uma inovação política cada vez mais necessária e na qual Portugal tem sido um dos pioneiros”. Chega a considerar que a política seguida se reveste de uma “textura visionária”.
Não se nega que algo está a ser feito e que é, porventura, importante. Mas começa a não se suportar o tique de auto-satisfação exibicionista (e por vezes balofa) que caracteriza a acção de vários sectores do actual Governo. Um exemplo muito simples: como é possível atribuir tais virtudes e tal espírito visionário à actual política no sector da promoção da sociedade da informação e do conhecimento e não se ver praticamente nada de consistente em torno da “literacia digital”, que é, seguramente, muito mais do que o acesso e a utilização de computador e da Internet? Onde está a formação, os contratos-programa, a investigação, o incentivo às iniciativas dos agentes sócio-culturais, no sentido de capacitar o maior número de pessoas para saber tirar partido, ser crítico e ser activo face à (e na) Internet?

Act. :

“Na televisão, como na sociedade, o risco é o de passar a haver dois mundos: o dos mais endinheirados, que podem aceder ao cabo e à banda larga e suportar o preço da escolha personalizada, e o dos pobres, a quem resta o fluxo reality-show/novelístico das “generalistas”, a água da torneira do entretenimento básico”.

Nuno Artur Silva, in Público,16.12.2007

Jornalismo participativo vs. jornalismo dos cidadãos

Decorreu quarta-feira em França a apresentação pública do jornal digital MediaPart, um novo empreendimento presidido por Edwy Plenel, ex-director de Le Monde.

Este projecto jornalístico assume-se como um ‘media participativo. Mas:

“[…] attention, ici on ne parle ni de blogueurs, ni de journalisme citoyen, ni d’UGC [user-generated content], on parle presse, édition, journalisme traditionnel, du vrai, du lourd (budget pour le lancement, 4 millions d’euro, soit dix fois moins que pour fonder un journal papier)”.

Via: MémoireVive

Comunicação empresarial *****

Agora que acaba de ser anunciada uma nova fase de crescimento do Metro do Porto parece-me apropriado referir que, no âmbito das comemorações do 5º aniversário da empresa (7 de Dezembro), foi desenvolvido um projecto de comunicação curioso – cinco alunas do mestrado em Design da Imagem da Faculdade de Belas Artes fotografaram ‘andantes’ do metro segurando folhas com frases pré-escolhidas. O resultado final está no Flickr.

Imagens com emoção. (Aparentemente) amador. Barato.
Uma empresa atenta ao presente.
Uma empresa atenta aos seus utentes.
Ou então (e estas opções não se excluem umas às outras) uma empresa com uma estratégia de auto-promoção bastante eficaz.

Sugestão encontrada aqui.

Prémio para jovens jornalistas europeus

Projecto lançado pela Direcção Geral do Alargamento da Comissão Europeia, o “European Young Journalist Award” abriu o espaço de candidaturas e aceita propostas de jovens oriundos de qualquer dos 27 estados membros.

O prazo termina em 15 de Março do próximo ano.
Mais informações aqui.

“Assassinos vieram de fora”

Photo Sharing and Video Hosting at PhotobucketA Polícia Judiciária investiga a possibilidade de os autores materiais da morte de um indivíduo de Gaia ligado à ‘noite portuense’ terem sido contratados fora da região em que o crime ocorreu. O JN é quem traz matéria sobre este assunto na sua edição de hoje. Mas aquilo que, no texto da peça, não passa de uma hipótese, torna-se uma certeza no título: “Assassinos vieram de fora”. E a chamada destacada na primeira página é ainda mais factual e assertiva (cf. gravura junta).

Quem leia o jornal apenas pelos títulos ou superficialmente, vai naturalmente ‘vender’ ao parceiro da mesa de café a versão da certeza e não a versão da hipótese sobre a qual a PJ trabalha. De resto, nunca aparece, no trabalho publicado, qualquer justificação para a atribuir à “Grande Lisboa” a proveniência dos assassinos. Tanto mais que, a avaliar pelo texto, todos os indícios e pistas (conhecidos) continuam a ser vagos. De resto, o possível recurso a executantes do “exterior” (a expressão é dos jornalistas) é ainda mais matizado no corpo do artigo: “Os disparos (…) deverão ter sido efectuados por um grupo de indivíduos contratado para o efeito, eventualmente na zona da Grande Lisboa”.

“Melhores programas” de TV dos últimos 50 anos

Numa votação que vale o que vale, o Diário de Notícias, a revista Time Out e as Produções Fictícias promoveram nas últimas semanas a eleição dos melhores programas de televisão, ao longo dos últimos 50 anos. Os resultados acabam de ser divulgados:

1º – O Tal Canal (RTP, com 9,13% dos votos)
2º – Gato Fedorento (SICR e RTP, com 8,45%)
3º – Herman Enciclopédia (RTP, com 7,49%)
4º – Rua Sésamo (RTP)
5º – Duarte & C.a (RTP)
6º- Contra Informação (RTP)
7º – A Noite da Má Língua (SIC )
8º – Liga dos Últimos (RTPN)
9º – Grande Reportagem (SIC)
10º – Portugal, Um Retrato Social (RTP).

Dois anos @ ComUM

O ComUM online, expressão na web de um projecto jornalístico criado (em 1994) e gerido exclusivamente por alunos do curso de Comunicação Social da Universidade do Minho, faz amanhã dois anos.
A recente remodelação trouxe-lhe uma nova dinâmica gráfica que corresponde também a uma maior dinâmica na cobertura de eventos relativos a dois universos: a universidade e a região onde se insere.

Há, claramente, um caminho sério que está a ser feito e que – para quem conhece a oferta local – dá já ao ComUM um lugar de grande destaque. Mas há ambições por cumprir:

(…) tencionamos, em Fevereiro próximo, iniciar uma versão impressa semanal do ComUM. Esta será complementar à versão online, que não se tornará num mero repositório da informação impressa. Pelas características de que o ‘equipámos’, o ComUM online é o suporte ideal para a desejada confrontação de ideias. É esse debate que faz falta numa Universidade cada vez mais apática.

Parabéns a todos os que, nalgum momento da sua passagem pela UM, estiveram envolvidos no projecto e votos de sucesso para o que lá vem.

Carteira profissional? Que estranho?

Paul Bradshaw aproveitou a pergunta de um(a) do(a)s seus/suas leitore(a)s para lançar um debate a propósito da necessidade da existência de uma entidade que, seguindo um procedimento específico, concede o título profissional de jornalista. É assim em Portugal mas, como diz alguém num dos comentários, processo semelhante foi rejeitada recentemente no Quénia porque seria entendido como uma forma de limitar a liberdade de expressão.
São os contextos, de facto.
Vale a pena seguir a discussão.