“Há mais mundos…”

“(…) Faço parte das pessoas que já não suportam os telejornais. Parece que os comunicadoras, ou quem neles manda, continuam convencidos – não só na televisão – de que “uma boa notícia não é notícia”. Fica-se com a impressão de uma caça permanente à desgraça alheia: quando maior ela for, mais audiência terá, mais negócio. Não é por acaso que alterna com a publicidade. Esta procura convencer-nos de que, sem consumir os seus produtos, seremos infelizes.
(…) Compreendo quem anseia por um canal de televisão especializado em descobrir o mundo que não pode ser, apenas, uma colectânea de tristezas nem um mar de rosas, mas a casa do ser humano em todas as suas dimensões e em toda a sua complexidade. Há muito mais mundo que deveria entrar em nossas casas, em horas que não sejam roubadas nem ao descanso nem ao trabalho, do que o noticiário da desgraça. Mesmo acerca dos portugueses seria bom saber e ouvir mais do que a repetição, até a náusea, de que continuamos na cauda da Europa. (…) Será possível curarmo-nos da contínua alternância de exaltação e de depressão e optar por caminhos que nos levem ao encontro daquilo que existe, em nós, de melhor e mais profundo?(…)”.

Frei Bento Domingues, in Público, 30.12.2007

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