A falta de um ‘sobressalto moral’

“(…) Os jornais do Porto e alguns desportivos, cujo papel na denúncia deste tipo de ‘meios’ [ do ‘Apito Dourado’, da claque do FCP, da ‘noite’ portuense] é escassa para não dizer nula, mesmo quando agressões violentas a jornalistas os deveriam ter obrigado a um sobressalto moral, fazem assim um péssimo serviço à cidade e aos seus valores. Deveriam lembrar-se do rol das agressões a jornalistas que se estende desde o final dos anos 80 até aos dias de hoje e em que os jornalistas desportivos têm um lugar de honra, mas não só. Carlos Pinhão, Eugénio Queirós, João Freitas, Manuela Freitas, Marinho Neves, Paulo Martins, entre outros, a que se associa José Saraiva, militante do PS e director durante muitos anos do Jornal de Notícias, já falecido, conheceram o “meio” na prática. O mais espantoso é que muitos deles nunca apresentaram queixa, outros nunca souberam o resultado das suas queixas, e mesmo quando as agressões são públicas, não se passa nada. Nunca se passa nada e nunca ninguém quer ver. E quando se fala do que está à vista de toda a gente, é uma conspiração ‘lisboeta’, ‘benfiquista’, contra o Porto, o Norte e o FCP e os tambores do ressentimento regionalista rufam contra os ‘mouros’ (…)”.

José Pacheco Pereira in Público, 15 de Dezembro de 2007

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One thought on “A falta de um ‘sobressalto moral’

  1. De há muito que os portugueses se habituaram a ver os agentes da vida pública todos misturados numa orgia colectiva que, cada vez mais, mostra que a moralidade e a equidistância são valores pouco relevantes para um país que está acostumado a jogar no sistema de todos a monte e fé em Deus. Para comprovar tudo isso nem é preciso apelar à memória (também ela um valor irrelevante na nossa sociedade), basta olhar todas as semanas para as bancadas VIP dos estádios de futebol. Políticos pigmeus e pigmeus políticos lá estão, a propósito de tudo e de nada, em bicos de pés para que todos os vejam. E então quando isso acontece com um campeão… é a cereja no cimo do bolo da promiscuidade.

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