“Assassinos vieram de fora”

Photo Sharing and Video Hosting at PhotobucketA Polícia Judiciária investiga a possibilidade de os autores materiais da morte de um indivíduo de Gaia ligado à ‘noite portuense’ terem sido contratados fora da região em que o crime ocorreu. O JN é quem traz matéria sobre este assunto na sua edição de hoje. Mas aquilo que, no texto da peça, não passa de uma hipótese, torna-se uma certeza no título: “Assassinos vieram de fora”. E a chamada destacada na primeira página é ainda mais factual e assertiva (cf. gravura junta).

Quem leia o jornal apenas pelos títulos ou superficialmente, vai naturalmente ‘vender’ ao parceiro da mesa de café a versão da certeza e não a versão da hipótese sobre a qual a PJ trabalha. De resto, nunca aparece, no trabalho publicado, qualquer justificação para a atribuir à “Grande Lisboa” a proveniência dos assassinos. Tanto mais que, a avaliar pelo texto, todos os indícios e pistas (conhecidos) continuam a ser vagos. De resto, o possível recurso a executantes do “exterior” (a expressão é dos jornalistas) é ainda mais matizado no corpo do artigo: “Os disparos (…) deverão ter sido efectuados por um grupo de indivíduos contratado para o efeito, eventualmente na zona da Grande Lisboa”.

One thought on ““Assassinos vieram de fora”

  1. A obrigatoriedade de “vender” notícia para aumentar vendas de jornais, representa uma máxima que eu definiria como predominante nas redacções portuguesas: “O Marketing é quem mais ordena”

    Só assim se explica:
    – Que o jornalista não faça títulos das notícias que escreve;
    – Que exista desfazamento (para não lhe chamar deturpação) do conteúdo com os títulos (que são cada vez mais “teasing’s”);
    – Que se use nas redacções, cada vez mais, expressões como: “… isto não vende…” ou “…isso está a dar…”

    Como alguém perguntava: “se não acreditamos na notícia… em que vamos acreditar?”
    E eu acrescento: “Não venderá melhor a investigação?”

    Saudações;

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