As duas culturas

“Nestes tempos em que as grandes palavras da moda estão associadas aos aparatos tecnológicos, em particular às tecnologias de informação e à Internet, as ciências humanas, a filosofia, as artes, a literatura, o corpo clássico da escrita e do saber estão, por assim dizer, fora de moda. Isso vê-se quando se discute o muito falado Plano Tecnológico, um dos símbolos da governação Sócrates (e dos seus alter-egos no PSD), muito hábil com telemóveis, computadores, gadgets e devices, mas pouco sensível àquilo que, com alguma comiseração, hoje se nomeia de “conteúdo”. É a forma, o instrumental, o brilho das luzinhas e a rectidão perfeita dos lasers que os entusiasma, perpetuando assim mais uma vez o divórcio das “duas culturas” que no passado pendia para a ignorância científica e para o sebentismo nas humanidades e hoje pende para o deslumbramento tecnológico e para a extinção das humanidades. Nem uma, nem outra “cultura” da clássica divisão de C. P. Snow existem como cultura sem se olharem entre si.(…)”.José Pacheco Pereira in “Publico”, 08.12.2007.

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