Vem aí um Conselho de Imprensa?

Com o anúncio de que a Associação Portuguesa de Imprensa (APImprensa) vai propor a criação de um novo modelo de Conselho de Imprensa (…) como forma de auto-regulação para os jornais portugueses”, feito ao Diário de Notícias pelo presidente da associação, João Palmeiro, algo de novo parece desenhar-se no horizonte.

Será? É que começa a ser caricata a frequência e insistência com que jornalistas e patrões dos media declaram ser pela auto-regulação, sem se mostrarem capazes, há muitos anos, de dar passos consistentes nesse sentido.

Chega-se a pensar que as declarações acerca do valor da auto-regulação são mera retórica para combater a regulação e que, no fundo, o que uns e outros querem é que não haja nem regulação nem auto-regulação.

De resto, é sintomático que o anúncio de João Palmeiro ao DN não seja retomado ou desenvolvido noutras notícias. Um sinal de que ou o anúncio é mais uma declaração de intenções do que outra coisa ou de que poucos acreditam que seja para valer.

Continuo a achar que o ‘excesso de regulamentação’ que tem sido brandido contra este Governo (e outros) é, afinal, o reverso de um vazio auto-regulamentador. É sempre cómodo ‘bater com a mão no peito dos outros’, como gostava de dizer, há largos anos, o antigo bispo do Porto D. António Ferreira Gomes.

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