Gratuitos em Portugal com quota de 53% nos dias úteis

Portugal juntou-se ao estreito grupo de países cuja quota de mercado da distribuição de jornais gratuitos ultrapassou, nos dias úteis, a de jornais pagos. A informação é objecto de destaque na newsletter “Free Daily Newspapers” relativa a Outubro-Novembro, da responsabilidade do especialista holandês neste segmento, Piet Bakker. Para este professor da Universidade de Amesterdão, Portugal atingiu a percentagem de 53% em Setembro último, aquando do lançamento do gratuito Global Notícias, da Controlinveste. Desde então, ocorreu já o surgimento do Sexta, um semanário gratuito da responsabilidade conjunta de A Bola e do Público.
Ainda que estes números devam ser tomados com prudência, parece não haver dúvida de que dão conta de uma tendência que se vem afirmando nos últimos anos.

free dailies Oct2007

Ainda de acordo com a mesma fonte (blogue Newspaper Innovation), a ‘circulação total’ de jornais gratuitos passou, na Europa, de 5,5 milhões em 2000, para 11 milhões em 2004 e 28 milhões em Outubro último. Presentes em praticamente todos os países europeus (a excepção é a Noruega e alguns países do Leste), os gratuitos compreendem 130 títulos diferentes e mais de 300 edições, sendo frequente que em cada país existam vários títulos.
(Crédito da imagem: Newspaper Innovation – Europe)

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4 thoughts on “Gratuitos em Portugal com quota de 53% nos dias úteis

  1. Pingback: » Jornais gratuitos “vendem” mais do que pagos em Portugal

  2. Sem pretender retirar importância ao fenómeno dos jornais gratuitos e aos desafios que hoje nos colocam, recordo um pequeno ponto: a comparação entre imprensa gratuita e imprensa paga é, habitualmente, feita de modo incorrecto.
    Comparar os números de TIRAGEM de um jornal (ou seja, os exemplares que ele imprime e manda para a rua, independentemente de se saber se vão ser lidos ou deitados ao lixo) com os números de CIRCULAÇÃO de um jornal (ou seja, os jornais que efectivamente chegam às mãos das pessoas) é comparar coisas de tipo diferente. De um jornal gratuito não é possível conhecer a circulação, mas apenas a tiragem — ele nunca tem “sobras”, nunca tem exemplares devolvidos, mesmo que muitos se vejam por aí, pelo chão, no próprio dia de saída. Quanto aos jornais pagos, porém, podemos saber a tiragem e podemos também (via APCT) conhecer a circulação — sendo que entre uma e outra há, em regra, uma diferença importante, da casa dos 20 a 30 por cento. Não é engano: a generalidade dos títulos portugueses tem “sobras” que rondam os 20 a 30 por cento dos exemplares por edição!
    Para sermos mais rigorosos, deveríamos comparar o que é comparável tanto no campo dos gratuitos como no dos pagos, ou seja, tiragens.
    Melhor do que isso, deveríamos cruzar estes dados com os dados de AUDIÊNCIA, que também conhecemos via Marktest. E constataríamos, então, que jornais gratuitos como o “Metro” ou o “Destak” têm tiragens diárias bastante superiores às dos maiores jornais diários pagos (“Correio da Manhã” e “Jornal de Notícias”), mas têm índices de audiência que são bastante inferiores (cerca de metade…) às daqueles dois matutinos.

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