Jornalistas convidam a acelerar

Na coluna da edição de hoje, Rui Araújo, o provedor do leitor do Público, publica transcrições da mensagem recebida de um leitor, nas quais jornalistas do jornal escrevem sobre as características de algumas marcas de carros, recorrendo a expressões como: “Ao volante deste (…), às malvas os limites de velocidade, a condução certinha, a poupança de combustível e a capa de menina bem comportada e mãe de família responsável!” ou “Para os atrevidotes kitados que gostam de cheirar a traseira alheia basta pisar a fundo e vê-los desaparecer pelo retrovisor“. O provedor nem considerou necessário ouvir os visados ou o director. “É desnecessário epilogar”, observa.
Não o sigo quando escreve que este tipo de escrita “é opinião, não é jornalismo”, visto que entendo que a opinião, incluindo a do provedor, também faz parte do jornalismo. Mas subscrevo o seu ponto de vista, a propósito desta matéria, de que “a imprensa deve (…) promover uma cultura de cidadania”.

Provedor põe fim a mandato

Rui Araújo anuncia, num post scriptum do seu texto de hoje, ter antecipado em um mês o fim do mandato. A edição do próximo dia 25 será a última a contar com a sua colaboração. “É uma opção pessoal”, escreve o provedor.

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One thought on “Jornalistas convidam a acelerar

  1. Cultura? Cidadania?

    Numa sociedade de aparências e de deslumbrante “play-back”, são cada vez mais os que estão na ribalta embrulhados em etiquetas sociais de renome, talvez até importadas de Paris. O presente é, ou parece, ser deles. Se o futuro também o for, então Portugal estará à beira do fim.

    São como os frutos de plástico que ornamentam as exposições de mobiliário. Lindos, gostosos e sedutores quando vistos à distância…

    Não deixa, contudo, de ser elucidativo ver como o acessório é mais relevante do que o essencial, como o embrulho é mais importante do que o produto, como a capa é mais vital do que o conteúdo, como o nome é mais paradigmático do que tudo o resto.

    É uma sociedade de faz de conta, onde o que importa é dizer-se que se tem um stradivarius porque se sabe que ninguém vai querer saber que o instrumento é, afinal, de plástico e foi comprado na Feira da Vandoma, no Porto.

    E assim não vamos lá. Portugal precisa de uma estratégia (ou desígnio) que valorize quem tem ideias e não quem diz que as tem. Que institua o primado da competência independentemente da filiação partidária e das cunhas.

    Cultura? Cidadania?

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