‘Sexta’ marca a diferença?

Marisa Torres Silva tem estado a acompanhar para este blogue os principais lançamentos de gratuitos, que têm ocorrido ao longo deste ano. Aqui estão as suas anotações relativamente à iniciativa mais recente, que começou a ser distribuído na zona de Lisboa:

Photo Sharing and Video Hosting at PhotobucketMais um gratuito a juntar à “colecção” – depois do lançamento do Global Notícias, do grupo Controlinveste, chegou ontem às bancas o primeiro semanário destas características, de seu nome O Mundo à Sexta, ou simplesmente Sexta. O projecto conjunto do Público e de A Bola é bastante ambicioso, a começar pela própria tiragem: 350 mil exemplares. Também a presença da publicidade é forte (como aliás seria de esperar), com 12 páginas inteiras, num total de 40, além de outros anúncios. O novo título partilha recursos humanos, logísticos e de conteúdos com ambos os jornais, mas não se limita, como acontece no Global, a ser um “digest” das notícias publicadas nesses meios.
De acordo com o que escreve o director, João Bonzinho, o Sexta será um jornal “com notícias mas não um jornal de notícias”. Isto para mostrar que a novidade do título não é propriamente a actualidade “pura e dura”, mas sim os assuntos e as matérias, ainda que actuais, de que os “outros” falam menos.
Olhando para o primeiro número, há que referir um aspecto, no mínimo, curioso: a grande presença de efemérides. Senão, vejamos: os 252 anos passados do Terramoto de 1755, na secção “País”; os 140 anos da compra do Alasca dos E.U.A. à Rússia e o balanço dos cinco anos de presidência de Lula da Silva, na secção “Mundo”; o centésimo jogo de Figo na Liga dos Campeões, na secção “Desporto”; ou o 40º aniversário de Julia Roberts, na secção “Artes”. Isto além de notícias já “mastigadas”, como o acordo do Tratado Europeu ou o primeiro voo do Airbus 380.
A questão que se coloca é simples: será que a utilização de “cabides noticiosos”, por si só, marca a diferença e constitui de facto uma abordagem alternativa da realidade? Para se distinguir efectivamente dos “outros” (Gratuitos? Diários e semanários pagos?), o Sexta ainda tem um longo caminho a percorrer…

Marisa Torres da Silva

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