Como salvar o jornalismo

Há três dias Howard Owens escreveu aquele que – por admissão própria – se tornou no mais polémico e discutido post do seu blog. Em “12 coisas que os jornalistas podem fazer para salvar o jornalismo” Owens diz-nos que a mudança precisa de surgir por vontade individual de cada jornalista:

We have decades and decades invested in doing things based on old rules. Now, the rules have changed, and newsrooms need to change as well. We need new attitudes and new cultures. This will only happen if individual journalists put forward the effort to change their minds about what their jobs are and how they do them.

É fácil (e aconselho a leitura de alguns dos comentários mais críticos) ler o texto e ver nele mais um exemplo de tecno-determinismo, mas será igualmente fácil perceber-lhe um esforço genuíno de argumentação com base numa ideia chave – os jornalistas precisam de manter-se em contacto activo com o mundo em que vivem.
Faz, por isso, sentido salientar algumas das ’12 coisas’; o jornalista – diz Owens – precisa de:

– entender-se como um produtor
– ser ‘web-culto’
– ter espírito de aprendiz

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4 thoughts on “Como salvar o jornalismo

  1. Os jornalistas não precisam de manter-se em contacto activo com o mundo em que vivem. E não precisam porque, de facto que não de jure, o mundo em que vivem não é o mesmo dos seus chefes. E são estes que determinam o que deve, ou não, ser publicado.

  2. Adenda ao meu comentário anterior: No contacto activo com o mundo em que vivo concluo que a prisão do Jornalista angolano Graça Campos, director do Semanário Angolense, é notícia. Veremos, amanhã, quantos vivem no mesmo mundo do que eu…

  3. Caro Orlando,

    Obrigado pelo comentário e pela participação.
    Mas é precisamente porque quis e pode participar que o mundo em que vive (o Orlando e todos nós) é hoje ligeiramente diferente do mundo em que, digamos, todos viviamos na década de 1980, por exemplo.
    Já aí os que determinavam eram os que determinavam…só que nessa altura nem o Orlando nem eu tinhamos este espaço para tornar mais visíveis as nossas inquietações, as nossas dúvidas.
    Mais relevante ainda – nesse tempo aí os que buscavam informação só tinham acesso ao que ‘os que determinavam’ escolhiam.
    Agora podem, por exemplo, encontrar numa ferramenta como o Technorati, por exemplo, dezenas de referências em outros tantos blogs à prisão do jornalista angolano que refere (http://www.technorati.com/posts/tag/Gra%C3%A7a+Campos).

    Penso que é isso que deve ler-se no post do Howard Owens; a constatação da mudança e a necessidade de a ela reagir; seria injusto exigir mais.

    Um abraço,

  4. Tem toda a razão, caro Luís Santos. Dava-me, contudo, algum prazer saber que faço parte de uma profissão que, mesmo e sobretudo nos meios tradicionais de comunicação, conseguia levar a Carta a Garcia sem, como hoje acontece, pura e simplesmente a atirar para a primeira valeta que encontra.

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