Como salvar o jornalismo

Há três dias Howard Owens escreveu aquele que – por admissão própria – se tornou no mais polémico e discutido post do seu blog. Em “12 coisas que os jornalistas podem fazer para salvar o jornalismo” Owens diz-nos que a mudança precisa de surgir por vontade individual de cada jornalista:

We have decades and decades invested in doing things based on old rules. Now, the rules have changed, and newsrooms need to change as well. We need new attitudes and new cultures. This will only happen if individual journalists put forward the effort to change their minds about what their jobs are and how they do them.

É fácil (e aconselho a leitura de alguns dos comentários mais críticos) ler o texto e ver nele mais um exemplo de tecno-determinismo, mas será igualmente fácil perceber-lhe um esforço genuíno de argumentação com base numa ideia chave – os jornalistas precisam de manter-se em contacto activo com o mundo em que vivem.
Faz, por isso, sentido salientar algumas das ’12 coisas’; o jornalista – diz Owens – precisa de:

– entender-se como um produtor
– ser ‘web-culto’
– ter espírito de aprendiz

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“João Pacheco” há muitos

Comentando o discurso do jornalista João Pacheco, Prémio Gazeta Revelação 2006 do Clube dos Jornalistas, no acto da entrega do prémio, em que denunciou a situação de precariedade das condições de trabalho de tantos colegas de profissão, escreve o leitor José Lopes, de Ovar, nas cartas ao director do Público de hoje:

“(…) [A] sua situação não é de facto uma excepção. É na verdade generalizada. Esta forma de exploração nos jornalistas não tem limites, vai da imprensa dita de referência, dos jornais às televisões e atinge igualmente a imprensa regional e local. O testemunho acutilante e hoje verdadeiramente corajoso, mesmo tratando-se de um jornalista, ao falar da ausência de contratos de trabalho, do uso e abuso dos recibos verdes, da falta de direitos, ou de tantas outras formas, mesmos as mais inacreditáveis, como a insolvência total de qualquer relação laboral minimamente aceitável, em que se arrastam sobretudo jornalistas em fase inicial da sua profissão, com a precariedade a atingir todos os limites da subexploração. Há muito se exigia uma voz da classe que perante tanta hipocrisia política desse rosto a uma dura realidade, que para alguns recém-chegados representa exercer actividade como se fosse um trabalhador clandestino, porque de facto o é, ao não ter qualquer vínculo por mais precário que seja. Isto acontece e é praticado por pseudo novos empresários sem escrúpulos no sector (…)”.