Para além da arquitectura

Algumas das mais recentes construções sobre a redacção do futuro elaboram-se em torno do redesenho dos espaços. Há até imagens que se tornaram já uma espécie de ‘marcos’ da revolução que parece (precisa de) estar em curso, como a do open space organizado de forma radial (cujo primeiro grande exemplo foi o Daily Telegraph).

Esta reorganização dos espaços é, porém, algumas vezes apresentada como uma solução quase mágica para os actuais problemas do jornalismo, conseguindo a proeza única de aumentar a eficácia empresarial, melhorar a qualidade dos produtos e reactivar a ligação aos respectivos públicos. Naturalmente, a não adesão ao novo conceito predominante do ‘novo’ implica uma imediata colagem ao novo conceito do ‘velho’, que traz atado a si muitas outras palavras carregadas de negatividade como ‘atraso’, ‘conservadorismo’, ‘medo’, ou ‘desactualizado’.
Muito pouca atenção é dedicada à necessidade de mudança de muitas outras arquitecturas e a um aspecto absolutamente relevante em todas as organizações – o que estas mudanças fazem às pessoas, às suas expectativas e ambições, aos seus projectos, à sua energia criativa.
Parece-me, por isso, sempre útil ler textos que nos apresentem olhares e opiniões sobre a complexidade e que nos mostrem como está a ser trilhado o incerto caminho da redescoberta do lugar do jornalismo, como é o caso deste, escrito por Carl Sessions Stepp, na mais recente edição da American Journalism Review.
Excertos:

For years, journalists have wrangled with rampaging change, especially the online revolution that brought vast new duties and the accompanying downsizing that left fewer people to accomplish them. Now these changes are rushing toward a threshold that seems likely to remake the homely print newsroom into a multimedia center fighting for survival and success.

Some journalists have left, others are looking and some report that morale has deteriorated. In a note to staff members several weeks into what she called the “new world,” Wallace invited comments about both “success” and “struggles” and said editors were moving quickly to fill vacancies.

One staff member who asked to remain anonymous was more negative. “I look at it like a military placement,” he says. “This is what I’m assigned to do… And anyway, nothing lasts more than a year at this paper.”

Sugestão recolhida no Infotendencias.

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One thought on “Para além da arquitectura

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