Modos de entender o jornalismo

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(DN, 1.10.20007)

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(Público, 1.10.2007)

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Caso Maddie: verberado abuso de fontes anónimas

“O uso de fontes anónimas deve ser uma excepção e, se usado, exige critérios muito rigorosos, tendo em conta o risco de promover o boato e a especulação” – considera, em comunicado, o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas a propósito da cobertura do desaparecimento de Madeleine McCann.
Procurando evitar que “eventuais atropelos às regras deontológicas não sejam repetidos no futuro”, as recomendações daquele órgão exprimem o desejo de que os jornalistas “tenham um especial cuidado na exposição de informação da esfera privada de eventuais suspeitos, arguidos ou réus antes de uma eventual sentença transitar em julgado”.
“Não podem os jornalistas assumir o papel de proponentes de teses, sem fundamentação justificada, sobre o eventual iter criminis (história do eventual crime)”, sustenta o comunicado.
Para o Conselho Deontológico, “a informação veiculada por fontes confidenciais, se não apoiadas em documentos oficiais, requer sempre uma investigação subsequente por parte do jornalista para a sua confirmação. Nunca deve o jornalista usar simplesmente a fonte anónima, a fonte próxima, a fonte fidedigna para credibilizar uma informação sobre uma matéria em que não haja certezas, por isso alimentar a especulação e o boato”.

Para além da arquitectura

Algumas das mais recentes construções sobre a redacção do futuro elaboram-se em torno do redesenho dos espaços. Há até imagens que se tornaram já uma espécie de ‘marcos’ da revolução que parece (precisa de) estar em curso, como a do open space organizado de forma radial (cujo primeiro grande exemplo foi o Daily Telegraph).

Esta reorganização dos espaços é, porém, algumas vezes apresentada como uma solução quase mágica para os actuais problemas do jornalismo, conseguindo a proeza única de aumentar a eficácia empresarial, melhorar a qualidade dos produtos e reactivar a ligação aos respectivos públicos. Naturalmente, a não adesão ao novo conceito predominante do ‘novo’ implica uma imediata colagem ao novo conceito do ‘velho’, que traz atado a si muitas outras palavras carregadas de negatividade como ‘atraso’, ‘conservadorismo’, ‘medo’, ou ‘desactualizado’.
Muito pouca atenção é dedicada à necessidade de mudança de muitas outras arquitecturas e a um aspecto absolutamente relevante em todas as organizações – o que estas mudanças fazem às pessoas, às suas expectativas e ambições, aos seus projectos, à sua energia criativa.
Parece-me, por isso, sempre útil ler textos que nos apresentem olhares e opiniões sobre a complexidade e que nos mostrem como está a ser trilhado o incerto caminho da redescoberta do lugar do jornalismo, como é o caso deste, escrito por Carl Sessions Stepp, na mais recente edição da American Journalism Review.
Excertos:

For years, journalists have wrangled with rampaging change, especially the online revolution that brought vast new duties and the accompanying downsizing that left fewer people to accomplish them. Now these changes are rushing toward a threshold that seems likely to remake the homely print newsroom into a multimedia center fighting for survival and success.

Some journalists have left, others are looking and some report that morale has deteriorated. In a note to staff members several weeks into what she called the “new world,” Wallace invited comments about both “success” and “struggles” and said editors were moving quickly to fill vacancies.

One staff member who asked to remain anonymous was more negative. “I look at it like a military placement,” he says. “This is what I’m assigned to do… And anyway, nothing lasts more than a year at this paper.”

Sugestão recolhida no Infotendencias.