Acesso gratuito a revistas científicas

Já que estamos com a mão na massa: a Routledge disponibiliza a todos os interessados acesso gratuito durante sete dias à sua colecção de revistas de jornalismo e comunicação. As revistas da editora nesta área são mais de meia centena. Mas, como “não há almoços grátis”, o interessado não só tem de indicar o artigo a que quer ter acesso como tem de informar sobre que texto está a escrever, enviando o respectivo abstract.

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o que (não) dizem os rankings

A propósito da informação e dos comentários neste e noutros blogues acerca das notas mínimas de acesso aos cursos de comunicação dos estabelecimentos de ensino superior público, Sandra Marinho, investigadora da Universidade do Minho, com uma tese de doutoramento em preparação sobre as mudanças no ensino do jornalismo, enviou-nos o seguinte texto:

Não tenho nada contra rankings e acho até que são um instrumento muito útil. Encerram, contudo, um perigo, se não esclarecermos bem o que medem exactamente. Neste caso, de facto, até se esclarece que se trata da nota do último aluno colocado em cada curso. O problema é que, subjacente a este tipo de classificação, está normalmente um julgamento sobre a “qualidade” de cada licenciatura e esse, sim, pode estar sujeito a preconceitos.

Consultei o Ponto Media, onde esta informação foi originalmente publicada (um bom trabalho) e revejo-me particularmente nos comentários de A. Fidalgo e S. sobre as “condições de acesso” e sobre o “número de vagas”. Julgo que pode ter interesse fazer-se um ranking resultante de um modelo ponderado (sempre discutível) que entre em linha de conta com diversas variáveis:

  • – A média do último aluno que entrou em cada curso.

Para isso, ter-se-ia de identificar, de entre todos os cursos, o que tem o número mínimo de vagas e procurar esse posto em todos os outros cursos. Por exemplo, o curso “x” tem 30 vagas e o último aluno aqui colocado tem média de 14. Para poder comparar todos os cursos teríamos de identificar a que nota corresponde o trigésimo aluno que entrou em cada um dos cursos analisados. Só assim temos matéria comparável em termos de médias.

  • – As condições de acesso

Cursos com condições mais exigentes ao nível do acesso, nomeadamente os que exigem pares de provas, teriam de ser classificados com um índice mais alto, ao nível desta variável.

  • – Capacidade de captação

Aqui entra em linha de conta a origem (geográfica) dos candidatos admitidos. Um curso com capacidade de captar estudantes fora da sua “área geográfica” obteria igualmente uma classificação superior a um curso cujos candidatos provêm da região onde está implantado.

  • – A ordem de escolha do curso

O facto de um curso ser escolhido como primeira opção pela maioria dos admitidos revela uma preferência que também não deve ser ignorada e ponderada.

É claro que estas são apenas algumas das variáveis que poderiam ser operacionalizadas num modelo com muitas percentagens, critérios, ponderações, com toda a subjectividade (admitida) que estas questões sempre acarretam, mas que, parece-me, seria talvez mais justo… Ainda assim, só estamos a avaliar a procura, que não esgota, de todo, os critérios para a avaliação da qualidade da oferta de formação! Falta ver muitas outras coisas, umas mais facilmente mensuráveis do que outras: os curricula, o corpo docente, a investigação associada ao ensino, a empregabilidade, os recursos financeiros, humanos e técnicos disponíveis… e até questões aparentemente muito menos importantes como as Universidades/Politécnicos e regiões onde os cursos estão implantados, com tudo o que isto acarreta: os índices de desenvolvimento das cidades tornam um curso mais ou menos atractivo; o prestígio da Universidade/Politécnico pode introduzir um factor de contágio na apreciação do curso, etc, etc…

Enfim, seria matéria vasta e complexa, mas não completamente impossível. Isto dava era para um doutoramento!

Sandra Marinho

Jornalismo: entre rapidez e profundidade

Paul Bradshaw publicou esta semana no Online Journalism Blog um post que está a suscitar uma onda de comentários entre os especialistas e interessados no webjornalismo. Em A model for the 21st century newsroom: pt1 – the news diamond apresenta uma proposta de modelo de redacção integrada que elabora sobre aquilo que poderia ser visto como um ‘arco tenso’ entre velocidade e profundidade. Interessante seguir também os comentários e achegas que o post já motivou.

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Meios fast-food?

Acaba de ser disponibilizado online e-book de acesso gratuito (licença Creative Commons) Planeta Web 2.0. Inteligencia colectiva o medios fast food, dos investigadores Cristóbal Cobo Romaní e Hugo Pardo Kuklinski (prólogo de Alejandro Piscitelli).

Segundo o site oficial do livro (que inclui links para um podcast dos autores e um wiki da obra), aqui “se reflexiona si se vive una fase determinante y creativa de la inteligencia colectiva o si simplemente se trata de un escenario de medios fast food, de consumo rápido

y de carácter amateur en rápida transición hacia una nueva etapa evolutiva”.

Ver também, sobre o tema, um recente livrinho de acesso livre, em italiano, da autoria de Daniele Pauletto, intitulado Web2.0 per Tutti, Raccolta di articoli, post e interviste.

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Livre acesso ao NYTimes e ao IHTribune

“Os montantes das assinaturas ficam aquém dos potenciais rendimentos obtidos através da publicidade que advêm do maior tráfego de um site aberto”. É deste modo que o New York Times (NYT) justifica a decisão de tornar livre o acesso a conteúdos do seu site que eram até agora pagos.

A medida estende-se também ao International Herald Tribune, detido pela mesma empresa.

Para o seu programa de assinatura do conteúdo de certos colunistas, TimesSelect, o NYT conseguira, em dois anos, perto de 230 mil subscritores, que proporcionaram rendimentos da ordem dos dez milhões de dólares anuais. Mas as projecções de crescimento levaram a empresa a concluir que esse não é o caminho do futuro. É que, quando há dois anos tomou a decisão de limitar o acesso, não previa o fluxo de potenciais leitores que motores de pesquisa como o Google e o Yahoo ‘despejam’ diariamente no seu site e que, encontrando motivos para o frequentar de forma mais intensiva e demorada, se convertem em alvos mais atraentes para os anunciantes.

É nessa linha que se compreende a outra medida também tomada e com efeitos a partir de amanhã: tornar livre o acesso aos arquivos do jornal nos últimos 20 anos, assim como de 1851 a 1922.

Cá, pelos vistos, as contas que se fazem apontam noutras direcções [com o Expresso online a destoar].

Jornais e jornalismo em 2020

Jeff Jarvis transcreve no seu blogue Buzzmachine o texto de uma comunicação que fez há dias para a Associação Mundial de Jornais. Intitula-se “Newspapers in 2020” e sugiro a leitura.
Primeiro, uma das ideias centrais:

“I’ll argue that a newspaper isn’t even a product. Journalism is a service, a process, an organizing principle. And thanks to the technology that some think is a threat to newspapers – namely, the internet – that service can now expand in so many ways, turning a newspaper into something new and something more – at a lower cost. So rather than asking what a newspaper will be, I think we should ask what a news organization’s relationship with its community can be”.

Depois, algumas linhas de resposta sobre o que fazer:

  • “Well, first, we have to assure that news organizations survive, and to do that we must exploit the new efficiencies made possible by the internet, by the new architecture of news in the era of the link. We need to do what we do best and link to the rest. And what do we do best? Report, of course”.
  • “So how do we make sufficient revenue in the future? I argue that we need to operate advertising networks, finding and selling the best of what exists both within and without of our walls and sites. (…) So by 2020, I predict, the surviving news organizations will be built on large and efficient advertising networks. They will place advertising not only on the content they create but, in far greater volume, on the content others create. This means they need to encourage others to create more quality content.
  • That, I argue, is the key strategic challenge for newspapers: how to gather more and produce less, how to enable others to produce more content so we can build a larger network around them. This reduces our cost while increasing content for our communities. It also reduces our cost while increasing our potential for revenue. So we become networks of content and content creators”.

Notas de acesso aos cursos de Ciências da Comunicação

Foram ontem conhecidos os resultados da primeira fase do acesso ao Ensino Superior Público. Relativamente aos cursos de Ciências da Comunicação e afins, as classificações do último aluno colocado em cada curso são as seguintes:

Universidades

16,50 – Ciências da Comunicação – Univ. Nova Lisboa
16,16 – Ciências da Comunicação – Univ. Porto
15,22 – Ciências da Comunicação – Univ. Minho
15,05 – Ciências da Comunicação – ISCSP-Lisboa
13,73 – Jornalismo – Univ. Coimbra
13,42 – Com., Cultura e Organizações – Univ. da Madeira
13,24 – Ciências da Comunicação – Univ. Trás-os-Montes
13,04 – Ciências da Comunicação – Univ. Algarve
12,20 – Novas Tecnologias da Comunicação – Univ. Aveiro
11,83 – Ciências da Comunicação – Univ. Beira Interior
11,53 – Comunicação Social e Cultural – Univ, Açores

Ensino Superior Politécnico

15,35 – Jornalismo – I. P. Lisboa
15,34 – Comunicação e Design Multimédia – I.P. Coimbra
14,91 – Comunicação Social – I. P. Coimbra
12,32 – Comunicação Social – I. P. Viseu
12,18 – Comunicação Social – I. P. Setúbal
12,04 – Comunicação Social – I. P. Tomar
10,81 – C. Social e Educação Multimédia – I.P. Leiria
10,71 – Jornalismo e Comunicação – I.P. Portalegre

Vale a pena dar um salto ao Ponto Media, para ver um trabalho de António Granado que apresenta um gráfico com a evolução destes resultados por cada uma das instituições, ao longo dos últimos anos.